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terça-feira, 17 de agosto de 2010

ECONOMIST.COM: Economia da China ultrapassa a do Japão em termos reais - "China e Índia foram as maiores economias do mundo por quase todos os últimos 2.000 anos" !!! - Angus Maddison

Figura 1: A História do PIB Mundial 




























Minha opinião é que a análise dos fatores abaixo contribui para solucionar o mistério proposto no final do artigo do The Economist:

·         Por que elas (China e Índia) recuaram tanto deve ser mais misterioso do que porque estão florescendo atualmente.

É interessante observar onde estão certos eventos históricos na figura acima:

·         A “Derrota da Dinastia da Marinha” e a destruição dos estaleiros chineses, pelos vencedores da guerra interna pelo trono. Estes navios chineses permitiam expedições marítimas no Oceano Indico com MILHARES de soldados chineses “apoiando” a “abertura dos portos” para os seus comerciantes.  (Lembro-me de ter visto uma imagem comparando um navio chinês com as caravelas dos portugueses / espanhóis das Grandes Navegações, ocorridas muitos anos depois – parece-me que seria como comparar um transatlântico (navio chinês) com uma pequena lancha (caravelas).  Se não tivesse havido esta reviravolta política que destruiu a capacidade marítima da China, talvez a língua comercial teria sido, sempre, o Mandarim e não o Inglês / Espanhol.

·         As Grandes Navegações fonte dos Impérios: português, espanhol, holandês, inglês, austro-húngaro (Mercantilismo / Colonialismo)

·         Independência dos Estados Unidos

·         Revolução Francesa

·         Revolução Industrial  (industrialização do Primeiro Mundo – Capitalismo Liberal (ou Utopia Burguesa – Adam Smith, Ricardo, Max Weber))

·         Revoluções Comunistas (Industrialização do Segundo Mundo ( Capitalismo de Estado - exemplos: Rússia, China - (Utopia Comunista substitui a Utopia Burguesa que não cativava mais ninguém. Vide os romances de Charles Dickens sobre as condições miseráveis dos operários ingleses, expulsos dos campos para abastecer as indústrias nascentes – Londres, Manchester -  carentes de mão-de-obra)).

·         Primeira Guerra Mundial  (queda de muitas Potências Coloniais)

·         Segunda Guerra Mundial (fim do Império Britânico, ascensão dos Estados Unidos e União Soviética - Guerra Fria e Corrida Espacial)

·         “Milagres Econômicos” Alemão e Japonês  (Plano Marshall financiando a reconstrução da Ásia e da Europa – financiamento Norte-Americano para consumo de Produtos e Serviços dos EUA. E seus análogos, mais pobres, do lado de lá das Cortinas de Bambu (China) e de Ferro (URSS))

·         Primeiro Choque do Petróleo – o combustível do mundo deixando de ser “grátis”

·         Segundo Choque do Petróleo - o combustível do mundo torna-se muito caro - sua produção exige vultosos orçamentos militares para proteger as reservas, localizados em áreas com populações pouco amistosas para com o Ocidente (alguns exemplos: Arábia Saudita, Irã (Xá), Iraque, Venezuela)  (Parece que, em relação ao Petróleo, o Deus de Maomé é mais generoso que o de Moisés -  rs rs rs rs  J )

·         Queda do Muro de Berlim – Capitalismo de Estado, com Planejamento Centralizado, não consegue acompanhar as evoluções tecnológicas e sociais.

·         China flexibiliza Planejamento da Economia, buscando preservar Centralismo Político – “Não importa a cor do gato (se é vermelho ou não), desde que consiga caçar o rato”. Terá mais competência / sorte que a URSS? As tensões ambientais (saúde) e sociais (distribuição das benesses do “milagre econômico”) estão crescendo.

 “Milagre Econômico” – a realocação dos Investimentos Financeiros para regiões com menores restrições à produção do Lucro Máximo (Alguns fatores que contribuem: Fragilidade Sindical, Subsídios Tributários (Guerra Fiscal), Menor Regulamentação Ambiental / Social / Trabalhista)

Será que nós, a Sociedade Brasileira, podemos aprender algo de útil com esta reflexão?

Um abraço.

Claudio

Mensagem anterior
De: Claudio Estevam Prospero
Assunto: ECONOMIST.COM: Economia da China ultrapassa a do Japão em termos reais - "China e Índia foram as maiores economias do mundo por quase todos os últimos 2.000 anos" !!! - Angus Maddison

Economia da China
Alô América
Economia da China ultrapassa a do Japão em termos reais – 16/08/2010

CHINA tornou-se a segunda maior economia do mundo de acordo com dados divulgados nesta Segunda-Feira, 16 de Agosto.

A economia do Japão recuou para trás da chinesa no ranking de mercado de capitais, no segundo trimestre (vinha sendo a número três em termos de PIB por algum tempo).

Estes números não são exatamente comparáveis: os dados do Japão foram ajustados sazonalmente enquanto os dados da China não o foram.

Por outro lado, o Japão, provavelmente, será eclipsado logo, se já não o foi.

Dados compilados por Angus Maddison (ver figura anexa), um economista que faleceu no início deste ano, sugerem que China e Índia foram as maiores economias do mundo por quase todos os últimos 2.000 anos.

Por que elas recuaram tanto deve ser mais misterioso do que porque estão florescendo atualmente.

O texto acima é uma tradução de:


China's economy
Hello America
China's economy overtakes Japan's in real terms Aug 16th 2010

CHINA has become the world's second biggest economy according to data released on Monday August 16th. Japan's economy fell behind China's at market exchange rates in the second quarter (it has been number three in PPP terms for some time). These numbers are not strictly comparable: Japan's data have been seasonally adjusted while those for China have not. Quibbles aside, Japan will surely be eclipsed soon, if it has not been already. Data compiled by Angus Maddison, an economist who died earlier this year, suggest that China and India were the biggest economies in the world for almost all of the past 2000 years. Why they fell so far behind may be more of a mystery than why they are currently flourishing.






China torna-se a segunda maior economia do mundo

Programa também discute como a avanço da China afeta o Brasil.

Os epecialistas convidados Rubens Barbosa, Ricardo Martins, Antônio Corrêa de Lacerda analisam o avanço da China, que conseguiu ultrapassar o Japão e tornou-se a segunda maior economia mundial.

Segundo o ecomista Antônio Corrêa de Lacerda, o Brasil posiciona-se de forma dúbia diante da China, que promete dividir com os Estados Unidos o poder de influência na política internacional. Situação cambial brasileira será desafio para próximo governo.
Assista em:

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O país, o povo e os bancos - País tem crescido / Condições da maioria da população têm melhorado / Compare com evolução dos indicadores do setor bancário

Análise & Opinião| 05/07/2010 | Copyleft

DEBATE ABERTO
O país, o povo e os bancos
O País tem crescido nos últimos anos a taxas razoáveis e as condições da maioria da população têm, igualmente, experimentado melhoria. Mas nada que se compare com a evolução observada com os indicadores do setor bancário.
Data: 05/07/2010

Paulo Kliass

O IBGE acaba de divulgar os primeiros resultados da sua importante Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). Os dados ainda deverão ser mais bem analisados, mas certamente surgirá uma quantidade enorme de artigos sustentando a tese da redução das desigualdades sociais e econômicas ocorrida no País em período recente, tal como analisei aqui no texto “Mito e realidade acerca da redução das desigualdades”.

O fato é que a metodologia da POF, a exemplo da PNAD, não nos permite uma avaliação adequada da distribuição de renda entre as classes sociais – ela opera com o conceito de níveis de rendimento. A partir de pesquisas junto às famílias, a enquete tem amplitude nacional e pode ser fundamental para o diagnóstico de um conjunto importante de políticas públicas. É o caso da habitação, da educação, da saúde, transportes, serviços públicos e padrões de consumo de forma ampla.


E ali, com certeza, estará identificada a melhoria das condições de vida da população mais pobre e a redução das disparidades, sempre considerada no interior de um conjunto que engloba as famílias de classe média, os assalariados e os por conta própria de baixa renda. Porém, o problema é que as informações relativas às famílias do topo da pirâmide social, a elite do famoso 1% mais rico não têm participação significativa e não autoriza conclusões mais contundentes a respeito do comportamento da concentração de renda entre os que muito têm e os que pouco recebem.


Uma das formas de avaliarmos qual o resultado efetivo da política de redução das desigualdades entre o capital e o trabalho, é a observação comparada de como evoluíram os indicadores do setor mais expressivo e mais estratégico das classes dominantes no capitalismo contemporâneo: o mundo das finanças. E no interior desse universo, tomaremos o caso das organizações mais antigas e mais simbólicas do mesmo - os bancos.

Como é amplamente reconhecido, a estruturação dos setores mais estratégicos e mais dinâmicos do capitalismo é caracterizada por elevado grau de concentração de poder de mercado. A velha fórmula de “poucos, grandes e fortes”, que se verifica em áreas como a indústria automobilística, de eletro-eletrônicos, de equipamentos militares, aeronáutica, telecomunicações, farmacêutica, etc, se repete também no perfil das instituições financeiras pelo mundo afora.


No caso brasileiro, o grau de concentração é, também, uma característica marcante do setor bancário. A particularidade está na presença, historicamente importante, do setor público na constituição do mesmo. Até a década de 90, o núcleo duro das instituições de crédito era constituído por bancos oficiais federais e por bancos pertencentes aos governos dos estados da federação. Com a privatização da maior parte desses últimos levada a cabo a partir daquele período e com a abertura à entrada de grandes conglomerados estrangeiros, a presença do Estado no setor se resumiu ao Banco do Brasil (BB) e à Caixa Econômica Federal (CEF), além do BNDES - organismo que não atua como banco de varejo, mas apenas como banco de negócios e de empréstimos com características específicas.


A magnitude do setor pode ser melhor avaliada a partir de seus próprios números. Não se assuste, pois as dimensões são realmente colossais. No final de 2009, o total dos ativos do sistema financeiro em nosso País chegava a R$ 3,6 trilhões. Exatamente isso; pouco mais de 15% do PIB, que alcançava R$ 3,1 trilhões. Os mais familiarizados com o tema farão o alerta: peraí, Paulo, mas no ativo dos bancos estão também contabilizados os valores das contas de depósitos. E esses valores não pertencem à instituição financeira, mas sim aos correntistas. De acordo, a idéia não era tirar nenhuma conclusão apressada dos números acima, mas tão somente oferecer aos leitores um panorama da importância do sistema e de sua dimensão na economia.


Caso tomemos os dados relativos ao conceito que se denomina “patrimônio líquido” dos bancos, ficaremos apenas com aquilo que é de propriedade efetiva da empresa financeira, sem a contagem dos valores dos depósitos dos correntistas. Nesse caso, os valores para o final de 2009 correspondem a quase 10% do ativo total: somam R$ 345 bilhões. E finalmente chegamos aos valores da conta “lucro líquido” do conjunto dos bancos para o exercício passado: R$ 31 bilhões. Esta é apenas uma das inúmeras fotografias possíveis para se visualizar o sistema, tirada há 6 meses atrás.


Além disso, é importante mencionar que, apesar do movimento de liberalização do setor e do crescimento da banca privada e multinacional, a presença do BB e da CEF continuou a ser expressiva no setor. Juntas, essas duas empresas do governo federal representam por volta de 30% dos ativos do sistema bancário, com uma participação de 25% nos lucros totais apropriados pelos bancos em 2009. Porém, a estratégia do governo não se utilizou de tal fato para tentar imprimir uma outra direção aos agentes do setor. Na verdade, pelo contrário, estimulou-se um doloroso processo de concorrência, com a adoção das regras típicas dos bancos privados.

Apesar de existirem quase 3 centenas de instituições bancárias no País, o fenômeno da concentração e da oligopolização é flagrante. Ainda com os dados relativos ao final do ano passado, os 5 maiores conglomerados (BB, Itaú, Bradesco, CEF e Santander - nesta ordem) concentravam 67% do ativo, ou seja, 2 em cada R$ 3 do total do sistema. E ainda 60% do patrimônio líquido e 59% do lucro líquido do conjunto dos bancos. Caso ampliemos um pouco a amostra e consideremos as 10 maiores instituições bancárias, os percentuais sobem para 76% dos ativos, 68% do patrimônio líquido e 65% do lucro líquido de todo o sistema.

Com isso, fica evidente que o padrão de competição de mercado no setor bancário não tem nada a ver com o “mercado da batatinha” – se a vegetal está muito caro numa barraca na feira, a dona de casa talvez consiga uma melhor relação qualidade/preço caso se disponha a percorrer alguns metros a mais pela rua. No caso das instituições financeiras, o poder dos agentes pelo lado da oferta é enorme e justamente por isso caberia, em tese, ao órgão regulador – no caso, o Banco Central - o papel de redução do abuso dos bancos. É o que se chama de “padrão assimétrico entre agentes de oferta e demanda”, situação em que os consumidores ficam impotentes e em absoluta desvantagem frente às instituições bancárias, tal como ocorre em casos como as telecomunicações, a eletricidade, os transportes, etc.


Por outro lado, a configuração bastante particular do quadro econômico e institucional de nosso País faz com que a vida de dirigente de banco não seja lá tão complexa ou arriscada. A permanência quase estrutural da elevada taxa de juros, definida pela autoridade monetária, assegura à gestão dos recursos disponíveis na tesouraria das instituições do sistema uma remuneração mínima já considerada “máxima” para os padrões internacionais. Por exemplo, com a taxa SELIC no patamar atual de 10,25% a.a. e a inflação em torno de 4,5% a.a., a rentabilidade mais baixa já se aproxima dos 6% anuais. Ou seja, se o banco não fizer nada mais, além do que comprar e vender títulos da dívida federal, ele consegue tal rentabilidade.


Além disso, a prática abusiva dos bancos – contando com a conivência e o silêncio do Banco Central - face a seus clientes e à sociedade, de forma geral, lhe permite obter outros ganhos seguros, a exemplo dos escandolosos níveis de “spread” praticados (espero conseguir tratar desse tema em artigo específico) nas operações e nos valores elevados das tarifas bancárias cobradas de forma indiscriminada.

Assim, o que se verifica é uma participação mais apetitosa, para dizer o mínimo, dos bancos na repartição do bolo obtido com o crescimento econômico recente. O País tem crescido nos últimos anos a taxas razoáveis e as condições da maioria da população têm, igualmente, experimentado melhoria. Mas nada que se compare com a evolução observada com os indicadores do setor bancário.


Entre 2003 e 2009 o salário mínimo saiu de R$ 240 e alcançou R$ 465, ou seja, uma elevação nominal de 94%. A remuneração média dos trabalhadores de São Paulo era de R$ 901 e saltou para R$ 1.302, ou seja, uma elevação nominal de 45%. O PIB brasileiro era de R$ 1,7 tri e elevou-se para R$ 3 tri, ou seja, um crescimento nominal de 77%. Caso utilizemos o conceito do PIB per capita, os dados nos apresentam o valor de R$ 9.500 no início do período e de R$ 16.400 no ano passado. Ou seja, um crescimento nominal de 73%.


Já as informações observadas no que se refere à performance do setor bancário superam em muito tais índices de crescimento. Os ativos totais saíram de R$ 1,3 tri e superaram os R$ 3,6 trilhões, significando um crescimento nominal de 177%. Os dados relativos ao patrimônio líquido somavam R$ 129 bi em 2003 e atingiram R$ 345 bi no ano passado, proporcionando uma elevação nominal de 167%. Finalmente, a rubrica do lucro líquido saiu de R$ 12,5 bi e atingiu R$ 31 bi, fazendo com que os bancos obtivessem um crescimento nominal de 148% nessas contas.


Uma das conclusões a que se pode chegar a partir da leitura de tal quadro é que o processo de crescimento econômico não é neutro por si só. Os diferentes setores buscam se defender e se apropriar dos excedentes gerados pela atividade econômica na sociedade. Se, por um lado, é inegável que houve avanços importantes pelo lado da melhoria das condições de vida da maioria do povo, por outro lado, é também inequívoco que as elites têm logrado se apropriar ainda mais - em um padrão superior à média - dos benefícios proporcionados pelo crescimento. Infelizmente, a experiência internacional mostra que, em boa parte dos casos, o crescimento econômico se faz acompanhar de um aumento das desigualdades.


Assim, deveria caber ao Estado um comportamento mais atuante no sentido de regular a atividade econômica e propiciar uma distribuição mais equânime dos chamados “frutos do crescimento” entre os diferentes setores, principalmente em favor dos que apresentam menor capacidade de pressão frente aos verdadeiros detentores do poder.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Como estão a COMPETITIVIDADE e SUSTENTABILIDADE do Sistema Financeiro Nacional? Quais os riscos para a Sociedade?

Como estão a COMPETITIVIDADE e SUSTENTABILIDADE do Sistema Financeiro Nacional? Quais os riscos para a Sociedade?


Car@s.

   Preocupa-me a situação de Preços Relativos muito maiores em nosso Sistema Financeiro quando comparados ao Sistema Financeiro Internacional [1].

   Nós já vimos uma situação similar na Informática (Reserva de Mercado) que provocou uma defasagem tecnológica do País nesta área e a não sobrevivência das Empresas, que só conseguiam se manter viáveis sob este regime de Proteção da Sociedade.

   A Sociedade Brasileira precisa avaliar a Competitividade e Sustentabilidade de nosso Sistema Financeiro em uma situação de Competição em área maior que a Nacional. Até por restar apenas a opção de Internacionalização para expansão de nossas maiores Instituições Financeiras.



[1]  Informações sobre Tarifas e Juros (exemplos de Preços do Sistema Financeiro):

 Você está em: E&N > Economia > Setor Financeiro
terça-feira, 30 de março de 2010 23:00
Tarifa de serviço bancário sobe até 33 vezes acima da inflação, diz Idec
Levantamento do Instituto aponta alta de até 328% entre abril de 2008, quando BC apertou regras do segmento, e março deste ano
Leandro Modé, de O Estado de S. Paulo  
6 comentários
Tópicos: bctarifasidec;serviçosbancos

SÃO PAULO -
As tarifas avulsas de serviços bancários subiram até 328% entre abril de 2008, quando o Banco Central (BC) instituiu novas regras para o segmento, e fevereiro deste ano. O porcentual supera em 33 vezes a inflação do período (9,88%). No caso dos pacotes de serviços, a maior variação foi de 65,8%, sete vezes superior à inflação.

SELIC
QUARTA-FEIRA, 4 DE JUNHO DE 2008
20 Out 2009 – Miriam Leitão

Juros no Brasil: um ponto fora da curva mundial

Artigo - Alcides Leite
Valor Econômico
14/5/2008

Há nos bons manuais de economia e, sobretudo, na sabedoria dos agentes econômicos, uma máxima: "Na economia de mercado, os problemas acontecem quando os preços estão fora de lugar".
Esta máxima serve para o salário de um funcionário, para os produtos e serviços vendidos de um pequeno comércio ou grande multinacional e também vale para medir a adequação dos indicadores macroeconômicos de um país em relação à média de seus principais concorrentes e parceiros comerciais. Os indicadores macroeconômicos, portanto, representam, de alguma forma, o preço pago ou recebido, pelo agregado dos agentes econômicos de um determinado país.
O Produto Interno Bruto (PIB), que é o resultado da produção interna de todos os bens e serviços finais, representa o "faturamento" do país, ou seja, o preço médio de sua produção multiplicada pela quantidade produzida. A taxa de desemprego representa o custo pago pelo país ao manter um determinado contingente de trabalhadores na ociosidade. Já a inflação mede o aumento contínuo dos preços num determinado período, ou seja, mede a perda do poder de compra da moeda. O resultado do Balanço de Correntes representa o resultado das trocas internacionais entre o país e o resto do mundo, o que pode ser interpretado como a exportação líquida de riqueza para o exterior. O resultado fiscal do setor público representa a necessidade de financiamento que o aparato estatal necessita para seu funcionamento. A taxa básica real de juros de curto prazo representa o preço do aluguel do dinheiro no país. E assim por diante.
Diante disso, cabe perguntar: na economia brasileira, quais são os preços que estão fora de lugar? Ou que indicadores macroeconômicos destoam da média mundial?
Tomando como referência os últimos dados publicados pela revista "The Economist", verificamos que a média do crescimento do PIB esperado para 2008 é de 1,54% nos países desenvolvidos (Alemanha, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Japão, Inglaterra e Itália) e de 5,73% nos países em desenvolvimento, exceto Brasil (Argentina, Chile, China, Colômbia, Coréia do Sul, Índia, Indonésia, México, Peru, Rússia e Turquia). Para o Brasil, espera-se um crescimento do PIB de 4,5% em 2008. O comportamento dele neste quesito não difere muito da média dos países em desenvolvimento e supera consideravelmente a média dos países desenvolvidos.
Quanto ao comportamento da inflação nos últimos 12 meses, os dados nos mostram que no grupo dos desenvolvidos foi registrada uma inflação média no varejo de 2,93%. E, no grupo dos emergentes (exceto Brasil), foi registrado um crescimento nos preços de 7,4%. A inflação no Brasil, nos últimos 12 meses atingiu 4,7%. Estamos, portanto, em situação bastante razoável neste quesito.
No que diz respeito ao índice de desemprego, os desenvolvidos registraram uma taxa de 6,31%; os emergentes (exceto Brasil) 7,95%; e o Brasil 8,7%. Também neste ponto, a nossa situação não está nada mal.
Relativo ao resultado em conta corrente como proporção do PIB, nos últimos 12 meses, os desenvolvidos apresentaram, em média, déficit de 1,26. Já os emergentes (exceto Brasil) apresentaram superávit de 1,06%. E o Brasil apresentou um déficit de 0,4%. Embora inferior ao resultado dos demais países emergentes, a situação das contas correntes brasileiras ainda não é preocupante.
O resultado fiscal nominal do setor público em relação ao PIB atingiu um déficit médio de 1,74% nos países desenvolvidos; um superávit médio de 0,11% nos emergentes (exceto Brasil); e um déficit de 1,8% no Brasil. Neste ponto, nossos resultados diferem significativamente dos países emergentes, porém se situa próximo daqueles dos países desenvolvidos.
Por fim, quando comparamos a taxa básica real de juros de curto prazo, isto é, a taxa básica de juros de curto prazo descontada a inflação prevista para os próximos 12 meses, chegamos aos seguintes resultados: 0,84% ao ano nos países desenvolvidos; 0,90% ao ano nos países em desenvolvimento (exceto Brasil); e 6,73% ao ano no Brasil.
A análise comparativa nos mostra que há, de fato, um preço que está totalmente fora de lugar no Brasil. Um ponto totalmente fora da curva. Uma anomalia internacional. Trata-se da taxa real de juros, ou do preço do dinheiro, que no Brasil é cerca de 7 a 8 vezes mais caro que no resto do mundo. Será que todo o mundo está errado e o Brasil certo? Cabe ao Banco Central, órgão responsável pela política monetária no Brasil, responder esta questão.
Alcides Leite Domingues é professor de Mercado Financeiro da Trevisan Escola de Negócios
O spread nas operações bancárias no Brasil não tem paralelo no mundo
Carta IEDI n. 100 - Spread no Brasil e no Mundo

O spread nas operações bancárias no Brasil não tem paralelo no mundo. Spread é a diferença entre a taxa de aplicação nas operações de financiamento e a taxa de captação de recursos pelas instituições financeiras.
Segundo dados do FMI, o spread de 43,7 pontos percentuais ao ano no Brasil na média de 2003, é o maior entre 102 países com dados disponíveis. Considerando o spread apurado pelo Banco Central do Brasil para 2003, que é mais baixo - média de 31,9 pontos percentuais ao ano -, apenas o Paraguai tem spread superior ao brasileiro. Outros países com níveis também elevados, embora significativamente inferiores ao brasileiro (entre 12 e 20 pontos percentuais ao ano), são: São Tomé e Príncipe, Quirguistão, Congo, Mauricius, Argentina, Geórgia, Zâmbia, Bolívia, Armênia, Quênia e Venezuela.
Com relação a países emergentes com os quais o Brasil concorre no mundo do comércio e pela atração de capitais, a comparação pode ser resumida no seguinte resultado: o spread médio cobrado nas operações de crédito no país (de 31,9 pontos percentuais ao ano em 2003, segundo o conceito do BCB) é três vezes maior do que o mais alto spread dentre os demais principais países emergentes, no caso, a Rússia. Em comparação com países desenvolvidos, o spread brasileiro é muitas vezes superior.
Spread e lucro das instituições financeiras são coisas diferentes. O primeiro inclui o lucro, mas deve cobrir itens de custos, como os custos derivados do depósito compulsório dos bancos, custos operacionais das instituições (o custo de intermediação financeira, incluindo impostos) e o custo de inadimplência nos empréstimos.
No Brasil todos esses itens assumem valores muito elevados, seja em função da instabilidade da economia, seja de dificuldades das instituições financeiras na execução de garantias. Por outro lado, o baixo volume de crédito, os excessivos impostos sobre a intermediação bancária e os exagerados compulsórios, tornam cara a intermediação financeira e são fatores adicionais de muita importância. Em recente estudo, o FMI apontou a falta de uma maior concorrência no setor bancário como um fator a mais que explica o nível do spread brasileiro.
É muito urgente encaminhar uma real solução ao problema, pois estamos diante de uma situação do tipo “pior dos dois mundos”: no Brasil, ao lado de uma das maiores taxas básicas do mundo, vigora o maior spread mundial. Atualmente, o que explica as altas taxas de juros do crédito, é, destacadamente, o elevado spread, responsável por 2/3 da taxa final que o tomador de recursos paga no crédito. A alta taxa básica de captação responde por 1/3 da taxa final.  
Aos níveis atuais desses dois componentes, em termos reais, quem tomar um financiamento hoje no Brasil estará pagando, em média, 23,4% ao ano se for pessoa jurídica, 55,6% ao ano se for pessoa física e 37,5% ao ano na média global. São taxas incompatíveis, mesmo se comparadas aos melhores retornos de aplicações de investimentos na economia real, o que deprime o crescimento e o emprego na economia. Limitam, por outro lado, o acesso ao crédito e conseqüentemente aos bens de maior valor unitário por parte da ampla maioria da população.
A nova Lei de Falências e o cadastro positivo de crédito são, hoje, as principais ações do governo para promover a redução do spread nas operações de crédito. Essas necessárias medidas teriam resultados mais imediatos e duradouros se fossem acompanhadas de outras imprescindíveis ações, como: 
·  revisão dos tributos incidentes sobre a intermediação financeira;
·  redução significativa do depósito compulsório dos bancos;
·  ampliação da concorrência na oferta de crédito por meio dos bancos públicos e do estímulo à intermediação não-bancária e ao desenvolvimento do mercado de capitais.
Ver a seguir para mais informações sobre spreads no Brasil e no mundo.
Bancos brasileiros têm os maiores juros do mundo      

03 de março de 2006
Levantamento foi feito em 107 países
     Em nenhum lugar do mundo um empréstimo custa tão caro como no Brasil. Levantamento feito pelo jornal Folha de São Paulo a partir de dados de 107 países coletados pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) mostra que os juros cobrados pelos bancos brasileiros são os mais altos de todos.
     A lista foi feita com base nos juros praticados em cada país no segundo trimestre de 2005, já descontada a inflação acumulada nos 12 meses anteriores. Por esse método, chegou-se à taxa real cobrada pelos bancos -44,7% ao ano, no caso brasileiro.
No topo da lista, o Brasil tem a companhia de vários países africanos, como Angola (onde a taxa real média é de 43,7% ao ano), Gâmbia (juros reais de 31,8% ao ano), Gabão (18,2% ao ano) e Moçambique (14,7%). Entre os dez países cujos empréstimos são mais caros, seis são africanos.
       Do lado oposto, dois países latino-americanos aparecem entre os países em que os juros bancários são mais baixos. Na Argentina, a taxa real chega a ser negativa, porque os encargos cobrados pelos financiamentos (6% ao ano em junho de 2005) são menores do que a inflação (alta de 8,79% acumulada entre julho de 2004 e junho de 2005). Assim como a Argentina, outros cinco países aparecem na lista com taxa real negativa.
Na Venezuela, o custo médio de um empréstimo é de 0,2% ao ano, também já descontada a inflação. Pelos dados do FMI, até o Haiti possui uma taxa menor do que a brasileira: 13,1% ao ano.
      Se fosse feita uma média simples dos juros reais praticados pelos bancos nos 107 países da lista - sem considerar o peso que cada um tem na economia mundial- chegar-se-ia a uma taxa de 7,4% ao ano: esse seria o custo médio de um financiamento bancário no mundo. O que significaria dizer que, no Brasil, uma pessoa ou uma empresa paga quatro vezes mais do que no resto do planeta por um empréstimo.
Somente em cinco países -incluindo o Brasil- os juros reais médios dos financiamentos bancários superam os 20% ao ano. Dos 107 países analisados, 81 oferecem uma taxa menor que 10% ao ano.

Ver também:
 Revista Brasileira de Economia
Print version ISSN 0034-7140
Rev. Bras. Econ. vol.61 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 2007
doi: 10.1590/S0034-71402007000200003 
Risco e competição bancária no Brasil*

Luiz Alberto D'Ávila de AraújoI, ; Paulo de Melo Jorge NetoII
IMestre em Economia pelo Curso de Pós-graduação em Economia – CAEN. Endereço: SBS Ed. Sede III – 13º andar – Diretoria Internacional – Banco do Brasil S.A. E-mail: davila@bb.com.br. Fone: (61) 3310-4464. Fax: (61) 3310-2444
IIProfessor do Curso de Pós-graduação em Economia – CAEN. PhD University of Illinois - EUA. Endereço: Av. da Universidade 2700, 2º andar. Fortaleza CE, 60020-181. E-mail: 
pjneto@caen.ufc.br. Fone: (85) 4009-7750. Fax: (85) 4009-7753




RESUMO
Diante dos dilemas de regulação bancária está a dicotomia entre liberalização, a qual induz maior competição, e estabilização do sistema financeiro. Neste contexto, este artigo investiga o relacionamento entre o nível de risco e o grau de competição bancária no Brasil, utilizando a estatística-H do modelo de Panzar & Rosse e o Índice de Basiléia, como medidas de competição e risco, respectivamente. Dada a relevância do debate, mensurou-se uma segunda medida de estrutura de mercado por meio do grau de concentração. Os resultados deste trabalho mostram que os bancos brasileiros operam em concorrência monopolista e que a competição implica numa maior exposição ao risco.
Palavras-chave: competição bancária; risco financeiro; regulação bancária.
Códigos JEL: D89; E61; G28.



Gestão com Base nos Critérios da Excelência
TERÇA-FEIRA, 9 DE MARÇO DE 2010

A FEBRABAN estará realizando em São Paulo, nos dias 05 e 06 de Abril de 2010, o curso Gestão com Base nos Critérios de Excelência. Tais critérios, trabalhados pela FNQ (Fundação Nacional de Qualidade) são 8: liderança, estratégias e planos, clientes, sociedade, informações e conhecimento, pessoas, processos e resultados. O curso tem um custo total de R$ 750,00 e a inscrição pode ser feita pelo sitehttp://www.febraban.org.br/educacao-curso.asp?modulo=Educação&id_tipoe=1&id_curso=336. As vagas são limitadas a 20 pessoas. Inscreva-se já.
Leia mais sobre a Gestão da Excelência no http://www.fnq.org.br/site/376/default.aspx
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Bancos Públicos cresceram a carteira de crédito em 31,1% em 2009 e os privados apenas 8,7%
QUINTA-FEIRA, 25 DE FEVEREIRO DE 2010


BRASÍLIA - O Banco Central mudou as projeções para o mercado de crédito e voltou a prever que os bancos públicos vão liderar a expansão dos empréstimos em 2010, exatamente como aconteceu em 2009. Estimativas apresentadas pelo chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Túlio Macedo, aumentaram a perspectiva de crescimento do crédito para instituições estatais e diminuíram para os privados. Assim, o crédito dos bancos públicos deve crescer novamente mais rápido que na concorrência.

No arquivo abaixo um interessante estudo sobre Competitividade e Sustentabilidade - Fatores Empresariais, Nacionais e Globais

COMPETITIVIDADE: O (DES)CAMINHO DA 
GLOBALIZAÇÃO ECONÔMICA

Dinizar Fermiano Becker 
Doutor em Economia pela Unicamp; coordenador do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento 
 Regional - Mestrado - da Unisc; professor da Faceat/Fates e presidente do Conselho de 
Desenvolvimento do Vale do Taquari - Codevat - gestão 95/97.

SINOPSE

O processo de desenvolvimento contemporâneo funda-se, mais do que nunca, no primado 
 do econômico. O acirramento da concorrência internacional tem exigido de empresas e 
nações reestruturação produtiva e econômica; a empresa retorna à cena como elemento básico 
 da competição. E, nessa condição, é a dinâmica do processo de concorrência intercapitalista 
que dá os referenciais da competitividade. Isso ocorre porque a competitividade se plasma 
 no âmbito do conjunto das empresas, vale dizer, no mercado como verdadeiro espaço de 
concorrência intercapitalista. No contexto da concorrência intercapitalista é que os espaços 
 nacionais, regionais, locais transformam-se em alternativas ao processo de valorização do 
capital financeiro transnacionalizado.

Palavras-chave: competitividade, globalização econômica, transnacionalização.