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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Pilhagem injusta: a razão estrutural da Grande Recessão é o que ainda assombra a América. Esta razão é explosão da desigualdade americana.

Economia| 05/07/2010 | Copyleft 
Pilhagem injusta
Não se trata de uma mera coincidência. Quando a maior parte dos ganhos do crescimento econômico fica com uma pequena fatia de cidadãos da elite, o resto não não tem o poder de compra para adquirir o que a economia é capaz de produzir. O salário médio dos EUA, ajustado à inflação, quase não mudou por décadas. Entre 2000 e 2007 ele na verdade despencou. Nessas circunstâncias, a única maneira da classe média manter seu poder de compra foi se endividando. A razão estrutural da Grande Depressão que ainda assombra os EUA é a explosão da desigualdade social. O artigo é de Robert Reich.
Robert Reich - The Nation
Data: 05/07/2010

O banditismo de Wall Street é a causa próxima da Grande Recessão, não sua causa de fundo. Mesmo se a “Rua” for melhor controlada no futuro (e eu tenho lá minhas dúvidas de que isso ocorrerá), a razão estrutural da Grande Recessão é o que ainda assombra a América. Esta razão é explosão da desigualdade americana.

Considere-se o seguinte: em 1928 os 1% dos americanos mais ricos recebiam 23,9% do total da renda nacional. Depois disso, a partilha dos 1% mais ricos declinou fortemente. As reformas do New Deal, seguidas pela Segunda Guerra Mundial, o G.I.Bill e a Great Society expandiram o círculo da prosperidade. Em fins dos anos 1970 os 1% mais ricos representavam apenas 8 a 9% do total da renda anual da América. Mas depois disso a igualdade começou a aumentar de novo, e a renda reconcentrou-se acima. 

Por volta de 2007 os 1% mais ricos estavam de volta aonde estiveram em 1928 – com 23,5% do total. As duas maiores quebras econômicas da América ocorreram nos anos imediatamente subsequentes a esses pontos máximos – em 1929 e em 2008. Não se trata de uma mera coincidência. Quando a maior parte dos ganhos do crescimento econômico ficam com uma pequena fatia de estadunidenses da elite, o resto não não tem o poder de compra para adquirir o que a economia é capaz de produzir. O salário médio dos EUA, ajustado à inflação, quase não mudou por décadas. Entre 2000 e 2007 ele na verdade despencou. Nessas circunstâncias, a única maneira da classe média manter seu poder de compra foi se endividando, como o fez com gosto. Enquanto os preços das moradias aumentaram, os americanos transformaram seus lares em caixas eletrônicos. Mas esse tipo de empréstimo tem limites. Quando a bolha da dívida finalmente explodiu, um vasto número de pessoas não pôde pagar suas contas, e os bancos não puderam receber.

A China, a Alemanha e o Japão certamente contribuíram para o problema, ao não conseguirem comprar de nós tanto como nós compramos deles. Mas acreditar que a nossa crise econômica contínua deriva principalmente de nossa balança comercial – compramos demais e poupamos pouco, enquanto eles fazem o oposto – é deixar de lado o maior desequilíbrio de todos. O problema não é que os americanos típicos tem gastado além dos seus ganhos. É que seus ganhos foram congelados junto ao que o crescimento da economia poderia e deveria poder fornecer-lhes.

Um segundo paralelo liga 1929 a 2008: quando os ganhos acumulam no andar de cima, as pessoas da elite investem sua riqueza em qualquer ativo que provavelmente atraia outros grandes investidores. Isso aumenta o preço de alguns ativos – commodities, ações, dot-coms ou investimentos imobiliários – que se tornam altamente inflados. Bolhas especulativas como essas explodem em seguida, deixando para trás montanhas de garantias sem quase valor algum.

A quebra de 2008 não se tornou uma Grande Depressão porque o governo aprendeu a importância de alimentar o mercado com dinheiro, resgatando assim temporarialmente alguns consumidores encalhados e a maioria dos grandes bancos. Mas o resgate financeiro não mudou a estrutura de fundo da economia. A média dos salários continua seu declínio e a elite continua a mexer na parte da riqueza do leão. É por isso que as classes médias ainda não têm o poder de compra necessário para levantar a economia, e porque a auto-proclamada recuperação será tão tépida - talvez levando até a uma segunda queda. Também é por isso que a América estará ainda mais vulnerável a bolhas especulativas e a explosões mais profundas nos próximos anos.

O problema estrutural começou nos fins dos anos 1970, quando houve uma onda de novas tecnologias (o transporte aéreo de cargas, os navios containeres e terminais, comunicações via satélite e, mais tarde, internet) que reduziram radicalmente os custos do trabalho no exterior. Outras novas tecnologias (automação, computadores e aplicativos de software ainda mais sofisticados) tiraram muitos outros empregos (Lembram dos caixas de banco? Dos operadores de telefones? Dos atendentes em postos de gasolina?). Nos idos dos anos 80 qualquer emprego que exigisse atividade repetitiva foi desaparecendo – indo para o exterior ou se tornando um software. Enquanto isso, ao passo que o pagamento da maioria dos trabalhadores achatava ou despencava, o pagamento dos socialmente bem conectados graduados em escolas de prestígio e programas MBAs – os assim chamados “talentos” que alcançaram o ápice do poder em suites executivas e em Wall Street – decolaram.

O que intriga é por que tão pouco foi feito para reverter essas forças. O governo poderia ter dado aos empregados mais poder de barganha para aumentarem seus salários, especialmente em idústrias protegidas da competição global e que requerem serviço pessoal: o grande comércio varejista, cadeias de restaurantes e hotéis, e assistência à criança e ao idoso, por exemplo. Redes de proteção social poderiam ter sido alargadas para compensar a ansiedade crescente frente à perda de empregos: seguro-desemprego cobrindo meio turno de trabalho, seguro salário frente à perda de poder aquisitivo, assistência na transição para novos empregos em novos lugares, seguro para comunidades que tenham perdido um grande empregador para que possam disputar novos empregadores. Com os ganhos do crescimento econômico a nação poderia ter oferecido assistência médica a todos, escolas melhores, educação fundamental e creche para as crianças, mais acessibilidade para as universidades públicas, mais transporte público de longo alcance. E se mais dinheiro fosse necessário, os impostos sobre os ricos poderiam ter aumentado.

Grandes e rendáveis companhias poderiam ter sido proibidas de demitir grandes números de trabalhadores de uma só vez, e poderiam ter de pagar indenização pela demissão – digamos, o equivalente a um ano de salário – para cada um que mandasse embora. As corporações cujas pesquisas fossem subsidiadas pelo contribuinte poderiam ter sido convocadas a criar novos empregos nos Estados Unidos. O salário mínimo poderia ter sido indexado à inflação. E os parceiros comerciais dos EUA poderiam ter sido estimulados a estabelecerem salários mínimos fixados à metade dos salários da classe média em seus países – assegurando assim que todos os cidadãos partilhassem os ganhos do comércio e que fosse criada uma classe média global que poderia comprar mais nossas exportações.

Mas começando no fim dos 70 e com um aumento fervoroso ao longo das décadas seguintes, o governo fez justamente o oposto. Desregulou e privatizou. Aumentou o custo público da educação superior e cortou o transporte público. Rasgou as redes de proteção social. Cortou pela metade o imposto de renda da elite, dos 70-90% que prevaleceram durante os anos 50 e 60 para 28-40%. Isso permitiu que muitos dos ricos do país tratassem sua renda como ganhos de capital sujeitos a não mais que 15% de taxação e escapassem também dos impostos sobre herança. Ao mesmo tempo, tanto a folha de pagamento como o estímulo ao consumo nos EUA sofreram um desfalque maior em função da diminuição da participação da classe média e dos pobres, do que dos bem remunerados.

As companhias foram autorizadas a cortar empregos e salários, aposentadorias e a transferir os riscos aos empregados (do 'você pode contar com sua aposentadoria', do “boa cobertura de saúde' ao aumento dos seguros de vida e deduções de benefícios). Eles quebraram os sindicatos e ameaçaram os empregados que tentaram se organizar. As maiores companhias se tornaram globais com não mais lealdade ou conexão com os Estados Unidos do que um serviço de GPS. Washington desregulou Wall Street enquanto o protegeu de grandes perdas, tornando a finança – que até recentemente servia à indústria da América – no seu senhor, exigindo lucros de curto prazo em vez do crescimento de longo prazo e arrastando uma porção ainda maior dos lucros do país. E nada foi feito para impedir que os salários dos executivos disparassem para mais de 300 vezes do que o de um trabalhador médio (de trinta vezes durante a Grande Prosperidade dos anos 50 e 60), enquanto o pagamento de executivos do mercado financeiro e de negociantes subiram a níveis estratosféricos.

É fácil demais culpar Ronald Reagan e sua laia republicana. Os democratas têm sido quase tão relutantes em atacar a desigualdade ou mesmo em reconhecê-la como o problema econômico e social central de nossos tempos. (Como Secretário de Trabalho da gestão Bill Clinton eu poderia saber). A razão é simples. Enquanto o dinheiro está aumentando também o está o poder político. Os políticos são mais dependentes do que nunca do dinheiro grande de suas campanhas. Washington moderna está longe de se afastar da Era de Ouro quando, tem-se dito, os lacaios dos barões do roubo literalmente depositem sacos de dinheiro nas mesas de legisladores amigáveis. O dinheiro de hoje vem na forma ou mesmo no aumento de doações de campanha de executivos das corporações e de Wall Street, seus ainda maiores pelotões de lobistas e suas hordasa de relações públicas propagandistas.

A Grande Recessão poderia ter levado a uma outra era de reformas fundamentais, assim como após a Grande Depressão. Mas o resgate financeiro reduziu demandas imediatas para reformas mais amplas. Obama pode ainda ter conseguido traçar um quadro acuradamente. Ainda assim, ao assegurar às pessoas que a economia voltaria ao normal ele perdeu uma oportunidade chave de expor o flagelo do aumento da desigualdade e seus perigos. Conter a crise financeira imediata e então afirmar que a economia estava em recuperação deixa as pessoas com uma idéia difusa dos problemas econômicos que ficam parecendo não relacionados entre si e inexplicáveis, como se um incêndio na cidade fosse enfrentado principalmente com uma conflagração, ao se proteger os grandes edifícios de escritórios enquanto deixa o resto da cidade cozinhando em fogo brando: falências domésticas, perda de empregos, diminuição da renda, insegurança econômica, aumentando o pagamento em Wall Street e nas suítes executivas.

A legislação para melhorar o sistema da assistência em saúde dos EUA [Healthcare] ilustra o paradoxo. Inicialmente, a nação estava fortemente favorável. Mas o presidente e os líderes democratas fracassaram em relacionar a reforma na saúde a uma agenda maior de distribuição ampla da prosperidade. Dessa maneira, como o desempergo cresceu ao longo de 2009, a população compreensivelmente voltou sua atenção à perda de empregos e diminuição de salários, frente aos quais a assistência em saúde parecia um problema menor. Consequentemente, o país não se mobilizou ativamente por uma reforma como seria necessário para enfraquecer o poder das grandes empresas farmacêuticas e das seguradoras privadas de saúde, que exigiram que qualquer assim chamada reforma melhorasse os seus próprios ganhos. A legislação resultante é dispensável para a direita, porque não controlaria adequadamente os custos e demanda que os estadunidenses paguem mais pelo seguro-saúde do que o fariam se o projeto não tivesse sido aprovado. Basicamente a mesma coisa ocorreu com os esforços para reformar o sistema financeiro. 

A Casa Branca e os líderes democratas poderiam ter descrito o maior objetivo como sendo a reconstrução das instituições econômicas que oferecem maior recompensa para relativamente poucos enquanto impõem custos e riscos extraordinários para todos os outros. Em vez disso, eles definiram o objetivo estreitamente: reduzir riscos para o sistema financeiro causados pelas práticas particulares de Wall Street. A solução então se estreitou num conjunto de consertos voltados a como a “Rua” deveria conduzir seus negócios.

Até o desastre no Golfo do México poderia ter sido apresentado num quadro mais amplo, de como corporações gigantes usam sua influência para capturar os reguladores e impôr os riscos e os custos à população, no exterior e a importância fundamental da saúde pública e da segurança ambiental para espalhar a prosperidade. Mas aqui de novo a administração e os líderes democratas fracassaram em conectar ambas as coisas. O desastre se tornou uma questão técnica a respeito de como interromper o vazamento de petróleo e uma discussão política de como regular a perfuração em águas profundas.

Se nada mais for feito, a guinada para a ampla desigualdade das últimas três décadas dos EUA é um convite aberto para um demagogo futuro que desconecte as questões, culpe os imigrantes, os pobres, o governo, as nações estrangeiras, os “socialistas” ou as “elites intelectuais” pelo crescimento das frustrações da classe média. O maior problema da hora do dia na política americana não estará mais entre democratas e republicanos, liberais ou conservadores. Estará entre ser do “establishment” e a população cada vez mais enlouquecida, determinada a “tomar a América de volta” deles. Quando eles entenderem onde isso leva, os interesses poderosos que até agora resistiram às reformas podem vir a perceber que a alternativa é muito pior.

Um pêndulo virtual sustenta a política econômica americana. Nós vamos de eras em que os benefícios do crescimento econômico eram concentrados em poucas mãos para um período em que os ganhos são distribuídos mais amplamente, e então voltamos ao estado inicial. Estamos nos aproximando do fim de um ciclo desses e do começo de um novo. A questão não é se o pêndulo vai voltar ao estado anterior, mas como ele vai se mover – se com reformas que aumentem o círculo de prosperidade ou se com a demagogia que faz a América dar as costas para o resto do mundo, encolhendo a economia e pondo os americanos uns contra os outros.

Nenhum de nós pode se desenvolver numa nação dividida entre um pequeno número de pessoas recebendo uma quantidade ainda maior da renda e da riqueza da nação, enquanto todo o resto recebe uma parte cada vez menor. A desigualdade não apenas diminui o crescimento econômico como também esgarça o tecido social de nossa sociedade. Os mais afortunados dentre nós, que alcançaram o auge do poder econômico e do sucesso dependem de uma economia e de um sistema político estáveis. Essa estabilidade repousa na confiança pública de que o sistema opera no interesse de todos nós. Qualquer perda dessa confiança ameaça o bem estar de todos. Escolheremos a reforma, eu acredito, porque somos uma nação com sensibilidade, e a reforma é a única opção sensível que temos.
(*) Ex-Secretário do Trabalho do governo Bill Clinton e Professor de Políticas Públicas na Universidade da Califórnia, Berkeley

terça-feira, 29 de junho de 2010

Um furacão de austeridade paira sobre a Europa - "Reduzir gastos sociais para pagar credores"

Economia| 28/06/2010 | Copyleft 



Um furacão de austeridade paira sobre a Europa

"Reduzir gastos sociais para pagar credores" - que só visaram lucros e bonus - sem avaliar riscos. E, assim, gestaram a crise.


Ver: Um roteiro em dez passos de uma Crise Financeira 
http://sinapsesgaia.blogspot.com/2010/05/um-roteiro-em-dez-passos-de-uma-crise.html


O Fundo Monetário Internacional, depois de impor durante anos medidas duras de ajustamento das contas públicas aos países do sul, impõe agora as suas receitas neoliberais na Europa, diminuindo os direitos laborais em favor de políticas liberais que perpetuam o sistema capitalista. Por Jérôme Duval, Damien Millet e Sophie Perchellet, do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM).
Do Portal Esquerda.Net

A crise actual é o meio ideal para que o FMI aplique na Europa as suas receitas ultraliberais adulteradas, receitas essas que anda a impor aos países em desenvolvimento desde o início dos anos 80. Desautorizado durante três décadas de planos de ajustamento estrutural impostos brutalmente aos povos do sul, o FMI volta ao centro do jogo político a partir do momento em que o G20 se responsabiliza pela gestão da crise, em 2008.

O sul foi o primeiro campo de batalha. A Europa é agora a sua continuação. O FMI multiplica os empréstimos a alguns países europeus que se encontram em dificuldades para pagar uma dívida pública aumentada repentinamente devido à desaceleração económica e aos planos de salvamento de bancos, cuja desenfreada procura de lucros levou, justamente, a esta crise. Em 2007, a Turquia era o único país de envergadura que ainda batia à porta do FMI. Muitos outros países como o Brasil, a Argentina, o Uruguai, as Filipinas, etc., tinham cancelado antecipadamente a sua dívida com o FMI para se libertarem da sua incómoda tutela. O tempo das vacas magras foi ultrapassado e, em menos de um ano, o FMI já abriu uma linha de crédito para uma dezena de países europeus e intervém desde essa altura em múltiplas frentes.

Agora, a instituição vê que os seus lucros quadruplicaram durante o exercício de 2009-2010 (fechado em finais de Abril), mesmo sem ter em conta a venda de parte das suas reservas de ouro. Lucros que são de 534 milhões de dólares face aos 126 milhões de dólares do exercício anterior. Confiar a gestão da crise a um organismo que tira proveito dela a este ponto não deveria deixar os cidadãos tranquilos… Por outro lado, enquanto o Fundo impõe o congelamento, ou redução, dos salários um pouco por todo o lado, o seu director-geral, o socialista francês Dominique Strauss-Kahn «sofreu» um aumento superior a 7% desde a sua chegada, estabilizando no meio milhão de dólares/ano.


O primeiro país atingido foi a Hungria, antes da Ucrânia, Islândia e Letónia. Depois, em 2009, foram a Bielorrússia, Roménia, Sérvia, Bósnia e, mais recentemente, a Moldávia e a Grécia. A lista de países que solicitam empréstimos à instituição continua a aumentar e todos eles são obrigados a aplicar os planos de austeridade ditados pelos mercados financeiros, pelo FMI e pela União Europeia.

O impacto social desastroso sobre as populações recorda-nos os planos de ajustamento estrutural de sinistra memória, implantados a sul depois da crise da dívida de 1982. Estes planos de austeridade têm como objectivo uma forte redução dos gastos públicos, sem atingir o grande capital, a fim de arranjar os fundos necessários para reembolsar prioritariamente os credores.

A Hungria abre a dança dos ajustamentos

Em Outubro de 2008, foi aprovado um plano para a Hungria de 20 mil milhões de euros: 12.300 milhões emprestados pelo FMI, 6.500 milhões emprestados pela União Europeia e 1.000 milhões de euros emprestados pelo Banco Mundial. Além do crescimento automático do stock da dívida e da perda líquida, devido ao pagamento de juros, implantou-se uma série de condições severas para a população: aumento de 5 pontos no IVA, actualmente nos 25%; aumento da idade legal de reforma para os 65 anos; congelamento de salários para os funcionários públicos durante dois anos; supressão do subsídio de Natal para os reformados.

A Hungria, governada pelos sociais-democratas, tinha conseguido salvaguardar um sistema social bastante protector. O descontentamento da população em consequência da aplicação, sob a ameaça do FMI, dessas medidas de austeridade, beneficiou a direita conservadora que acusou os sociais-democratas no poder de terem transformado o país numa «colónia do FMI» (conforme escreveu o jornal conservador Magyar Nemzet). No entanto, a vitória do novo primeiro-ministro conservador Viktor Orban foi aclamada pela agência de notação financeira Fitch Ratings, que considera que o partido de Orban, o Fidesz, obteve a maioria necessária para modificar a Constituição e, por isso, «representa uma oportunidade para introduzir reformas estruturais».

Os sociais-democratas sofreram uma derrota histórica nas eleições legislativas de Março de 2010 e abriram as portas à extrema-direita, que entrou no parlamento pela primeira vez, com 16,6% dos votos.

Ucrânia sancionada pelo FMI

O FMI aprovou, em Novembro de 2008, um programa de resgate de dois anos para a Ucrânia que atingiu os 16.400 milhões de dólares. Até Maio de 2010, o país só tinha recebido 10.600 milhões de dólares da instituição. Porquê? Porque desde o aumento de 20% no salário mínimo, aprovado pelo governo anterior de Viktor Yúshenko em finais de Outubro de 2009, o FMI suspendeu a entrega de fundos. A visita de uma delegação ucraniana a Washington, em Dezembro de 2009, não resultou em qualquer alteração e o pagamento de uma nova fracção do crédito permanece bloqueado.

O último pagamento remonta a Julho de 2009, devido à falta de acordo de Kiev acerca das condições. O FMI fixou o défice orçamental previsto para 2010 em 6% do PIB, enquanto o governo propõe um défice de 10% para não ter de apertar tanto o cinto. Fortemente penalizada pela crise, a Ucrânia sofreu uma queda de 15,1% do PIB em 2009, e conseguir um défice de 6% em 2010, como exige o FMI, é uma missão impossível.

Enquanto espera, a Ucrânia teve de aprovar o aumento da idade da reforma e o aumento de 20% na tarifa do gás aos particulares, a partir de 1 de Setembro de 2009. Prevê-se uma privatização e recapitalização dos bancos. A privatização da fábrica química de fertilizantes de Odessa volta a estar sobre a mesa, apesar da sua importância estratégica para a região e para o Estado, e apesar de as críticas que podem ser feitas relativamente às suas práticas ambientais. O novo governo, formalizado em Março de 2010 com a eleição presidencial de Viktor Yanukóvich, propõe, entre as suas prioridades, continuar a solicitar ajudas ao FMI. Dessa forma, espera obter um plano de apoio de 19.000 milhões de dólares do FMI, depois de fazer o parlamento aprovar um orçamento para 2010 que prevê reduzir o défice até 5,3% do PIB, superior às próprias exigências do Fundo. A visita do FMI, no fim de Março de 2010, foi a oportunidade para se aproximar do novo governo com vista ao relançamento do crédito, acompanhado por futuras medidas de austeridade.

Grécia: berço da democracia

Enquanto a Grécia, sufocada por uma dívida recorde, batia à porta da União Europeia e do FMI (em princípio para um empréstimo de urgência de
45 mil milhões de euros, dos quais 15 mil milhões correspondiam ao FMI) a agência de notação financeira Standard & Poor’s diminuía (em três níveis) a nota da sua dívida, a 27 de Abril de 2010. Os mercados caem e os investidores especulam em baixa, acentuando a tendência.

O primeiro-ministro Papandreu declarava a 11 de Dezembro de 2009 que «os assalariados não pagarão por esta situação. Não procederemos à congelação ou à redução dos salários. Não chegámos ao poder para desmantelar o Estado social». No entanto, em 18 de Março de 2010 começou a ser minuciosamente elaborado um plano comum UE - BCE – FMI com o acordo do PASOK, o partido de Papandreu no poder, cuja contrapartida seria uma cura de austeridade sem precedentes, de modo a economizar, à custa do povo grego, 4.800 milhões de euros em Março de 2010 e, depois, mais 30 mil milhões em Maio, de acordo com um novo plano, com o objectivo de pagar aos credores.

No menu, o congelamento de contratações e a redução dos salários dos funcionários (corte substancial nos pagamentos extraordinários, diminuição dos prémios, apesar de uma anterior redução dos salários decidida em Janeiro de 2010); congelamento das pensões; aumento do IVA de 19% para 23% – apesar de se tratar de um imposto injusto que afecta maioritariamente os mais desfavorecidos –; aumento dos impostos sobre o álcool e o tabaco; redução drástica das despesas sociais, como a Segurança Social, etc.. Os direitos sociais são sacrificados no altar dos interesses da «elite tradicional local» e das despesas militares, o orçamento mais importante da UE, relativamente ao seu PIB. A população reagiu em força e organizou greves gerais (nos dias 10 de Fevereiro, 11 de Março, 5 de Maio e 20 de Maio de 2010) que paralisaram o país muitas vezes.

Os romenos também vêm para a rua

Juntamente com a Bulgária, a Roménia é um dos países mais pobres da União. Em Março de 2009, a Roménia obteve um empréstimo de cerca de
20 mil milhões de euros: 12.900 milhões correspondentes ao FMI, 5.000 milhões à UE, entre 1.000 e 1.500 milhões ao Banco Mundial e o restante a várias instituições, entre as quais figura o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD). Em troca, Bucareste comprometeu-se a reduzir o seu défice público de 7,9% do PIB em 2009 para 5,9%, mas ao considerar-se este objectivo não realista, fixa-se finalmente em 6,8% em 2010. No menu, mais do mesmo: congelamento de pensões e de salários com a manutenção do salário mínimo em 600 lei brutos (145 euros), supressão de 100 mil funcionários públicos em 2010, ou seja, 7,5% dos efectivos da função pública. Ali também a população se mobilizou contra as medidas de austeridade. A 19 de Maio, mais de 60 mil manifestantes concentraram-se diante da sede do governo no momento em que este reforçava o seu programa de ajustamento, ao anunciar uma redução de 25% no salário dos funcionários públicos e de 15% nos subsídios de desemprego e nas pensões, cujo mínimo é já de 85 euros.
Além disso, o governo prevê a redução por decreto dos subsídios às famílias, bem como das ajudas dadas aos deficientes, a partir de 1 de Junho de 2010. É novamente à custa dos mais pobres que se quer pagar a crise, evitando-se cuidadosamente onerar o capital: o imposto de sociedades caiu 9 pontos, passando de 25% em 2000 para 16% em 2009.

Os islandeses recusam-se a pagar

Antes da famosa nuvem de cinzas vulcânicas que paralisou o espaço aéreo europeu, em 2010, durante vários dias, a Islândia já tinha sido notícia de grande actualidade devido a uma grave crise em 2008. O desemprego tinha passado de 2%, em Outubro de 2008, para 8,2%, em Dezembro de 2009. O Estado salvou da falência os três principais bancos do país, endividando-se enormemente e não podendo, mais tarde, garantir o reembolso aos detentores britânicos e holandeses dos seus títulos. O povo islandês viu-se obrigado a pagar essa dívida mediante a lei Icesave, apoiada pelo FMI, e adoptada com enorme irresponsabilidade e deslealdade no último dia do ano de 2009, uma dívida que tinha servido para trazer novamente à tona os banqueiros culpados.

Depois de uma grande mobilização popular, a lei foi rejeitada por mais de 73% da população no referendo de Março de 2010. Um relatório da SIC (Special Investigative Commission) apresentado em Abril perante o parlamento, questionou a responsabilidade de alguns dirigentes dos grandes bancos e de membros do governo cessante, em particular a do anterior primeiro-ministro, na crise bancária de 2008. David Oddsson, que dirigia o Banco Central em 2008, fugiu justamente antes da publicação desse relatório e escapou assim à Justiça do seu país.


Quatro antigos dirigentes do Banco Kaupthing, entre eles o anterior Presidente-Director-Geral Hreider Mar Sigurdsson, foram detidos à sua chegada a Luxemburgo, onde residiam. Sigurdur Einarsson, presidente do conselho de administração, refugiado em Londres, tem também uma ordem de detenção, emitida pela Interpol.

Em conluio com o FMI, a União Europeia dita as suas vontades aos governos e impõe medidas bastante impopulares. Em Novembro de 2009, o parlamento europeu emprestou à Sérvia 200 milhões de euros; à Bósnia-Herzegovina, 100 milhões de euros; à Arménia, 65 milhões de euros de empréstimo e 35 milhões de euros de subvenção; e à Geórgia, uma subvenção de 46 milhões de euros.

Esmagados pela especulação sobre a dívida, antes mesmo da intervenção do FMI, os estados tomam a iniciativa e prevêem reformas anti-sociais em Espanha, Portugal, Irlanda, Itália… Por toda a parte estes tratamentos de austeridade espremem os salários e preservam o grande capital, responsável por este beco sem saída capitalista. Por toda a parte os povos se mobilizam e a única esperança reside precisamente nessa mobilização. É urgente, para todos os que querem resistir eficazmente à lógica capitalista, trabalhar pela unificação destas lutas.

http://www.diagonalperiodico.net/Un-huracan-de-austeridad-se-cierne.ht
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[Crise financ] Stiglitz: “Os governos deveriam criar seus próprios bancos”

Economia| 29/06/2010 | Copyleft


http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16748&editoria_id=7



Stiglitz: “Os governos deveriam criar seus próprios bancos”
O Fundo Monetário Internacional e o setor financeiro estão repetindo velhos erros que já prejudicaram a vida de milhões de pessoas na Argentina, Indonésia, Coréia e Tailândia, entre outros países, denuncia o economista Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia. É o clássico erro daqueles que confundem a economia de uma família com a de uma nação. Se uma família não pode pagar suas dívidas, recomenda-se que gaste menos para que possa fazê-lo. Mas uma economia nacional, se corta gastos, provoca a queda da atividade econômica, ninguém investe, cai a arrecadação, aumenta o desemprego e termina-se por ficar sem dinheiro para pagar as dívidas.
“Nos Estados Unidos entregamos ao sistema financeiro 700 bilhões de dólares. Se tivéssemos investido apenas uma fração dessa quantidade na criação de um novo banco, feríamos financiado todos os empréstimos que eram necessários”, disse Joseph Stiglitz em declarações ao jornalIndependent na segunda-feira. Se os bancos não emprestam, os governos deveriam criar seus próprios bancos e encomendar-lhes essa tarefa, propôs o prêmio Nobel de Economia.

Na verdade, seria possível fazer isso com muito menos: “Tomemos 100 bilhões, alavanquemos essa quantidade por um fator de dez a um (atraindo fundos do setor privado) e obteremos uma capacidade creditícia de um bilhão de dólares, mais do que a economia real necessita”, explicou Stiglitz. O problema nos EUA é que o estímulo fiscal não foi o necessário: “Consistiu em boa medida em cortes de impostos e quando se deu dinheiro aos bancos, foi para aqueles que não deviam ter recebido”. “A conseqüência de tudo isso é que não se restabeleceu a atividade creditícia. É previsível que este ano se embarguem dois ou mais milhões de casas do que no ano passado”, advertiu o economista.

Por trás dos ataques dos mercados financeiros a Grécia, primeiro, e depois contra a Espanha, o consenso parecer ser o de que os governos devem economizar, critica Stiglitz, que compara a situação atual a dos Estados Unidos durante a presidência de Herbert Hoover. Os governos, como o britânico, não só se negam a estimular a economia, como também se dedicam a cortar gastos públicos, como fez Hoover em 1929, com a conseqüência de o “crack” de Wall Street degenerou na Grande Depressão.

“Hoover acreditava que, quando se entra em recessão, aumentam os déficits, pelo que optou pelos cortes, e isso é precisamente o que querem agora os estúpidos mercados financeiros que nos meteram no meio dos problemas que enfrentamos agora”, assinalou o prêmio Nobel. Segundo Stiglitz, é o clássico erro daqueles que confundem a economia de uma família com a de uma nação. “Se uma família não pode pagar suas dívidas, recomenda-se que gaste menos para que possa fazê-lo. Mas uma economia nacional, se corta gastos, provoca a queda da atividade econômica; ninguém investe, diminui a arrecadação, aumenta o desemprego e termina-se por ficar sem dinheiro para pagar as dívidas”, explicou.

“Há muitos experimentos que demonstram isso graças a Herbert Hoover e ao Fundo Monetário Internacional”, disse ainda Stiglitz. Ele lembrou que o FMI aplicou essas receitas errôneas na Coréia, Tailândia, Argentina, Indonésia e muitos outros países em desenvolvimento nos anos 80 e 90. “Sabemos o que ocorre. As economias vão se debilitar, os investimentos cairão e se produzirá uma terrível espiral descendente”, assinalou, lembrando o que ocorreu com o Japão que experimentou uma receita similar em 1997, quando estava em vias de recuperação e acabou metido em uma nova recessão.

A resposta, enfatizou, não é reduzir o gasto público, mas sim redirecioná-lo: “Pode-se cortar o dinheiro que se gasta na guerra do Afeganistão. Pode-ser cortar várias centenas de bilhões de dólares desperdiçados no setor militar. Podem se reduzir os subsídios ao petróleo. Há muitas coisas que podem ser cortadas. E é preciso aumentar o gasto em outras áreas como a pesquisa e o desenvolvimento, a infraestrutura e a educação, todas elas áreas nas quais o governo pode obter uma boa rentabilidade de seus investimentos”.

Ainda segundo o economista, não há tampouco nenhuma razão pela qual não se pode aumentar em cerca de 40% os impostos sobre os lucros especulativos do setor imobiliário, por exemplo. Esse tipo de especulação, concluiu, não beneficia a sociedade e a terra vai seguir aí, independentemente de que a gente especule ou não. Em troca disso, poderíamos baixar o ônus que pesa sobre outras atividades como pesquisa e desenvolvimento.

Tradução: Katarina Peixoto

[Crise financ] Paul Krugman alerta para sinais de uma terceira depressão -

Economia| 29/06/2010 | Copyleft 

Paul Krugman alerta para sinais de uma terceira depressão
Receio que estejamos nos primeiros estágios de uma terceira depressão. A probabilidade é que ela seja mais parecida com a Longa Depressão do que com a Grande Depressão. Mas o custo - para a economia mundial e para milhões de vidas será ainda assim, imenso. E essa terceira depressão será resultado de um fracasso das políticas econômicas. Em todo o mundo - mais recentemente na desanimadora reunião do G-20 - os governos estão obcecados com a inflação, enquanto que a grande ameaça é a deflação, recomendando cortes de gastos, ao passo que o verdadeiro problema são os gastos inadequados. O artigo é de Paul Krugman.
As recessões são comuns, mas as depressões são raras. Até onde eu sei, apenas dois períodos da história econômica foram chamados na sua época de "depressões": os anos de deflação e instabilidade após o Pânico de 1873 e os anos de desemprego em massa após a crise de 1929 a 1931.

Nem a Longa Depressão do século 19 nem a Grande Depressão do século 20 foram períodos de declínio ininterrupto - pelo contrário, ambas tiveram momentos em que a economia cresceu. Mas esses episódios de melhoria nunca foram suficientes para desfazer os danos do choque inicial e foram seguidos de recaídas.

Receio que estejamos nos primeiros estágios de uma terceira depressão. A probabilidade é que ela seja mais parecida com a Longa Depressão do que com a Grande Depressão. Mas o custo - para a economia mundial e, acima de tudo, para os milhões de vidas arruinadas pela falta de empregos - será ainda assim, imenso.

E essa terceira depressão será resultado de um fracasso das políticas econômicas. Em todo o mundo - mais recentemente na desanimadora reunião do G-20 no último final de semana - os governos estão obcecados com a inflação, enquanto que a grande ameaça é a deflação, recomendando cortes de gastos, ao passo que o verdadeiro problema são os gastos inadequados.

Em 2008 e 2009, parecia que havíamos aprendido com a história. Diferente de seus predecessores, que aumentaram as taxas de juros para enfrentar a crise financeira, os líderes atuais da Reserva Federal e do Banco Central Europeu cortaram radicalmente os juros e voltaram-se para os mercados de crédito. Diferente dos governos do passado, que tentaram equilibrar os orçamentos para enfrentar a economia em declínio, os governos de hoje permitiram que os déficits aumentassem. E melhores políticas ajudaram o mundo a evitar o colapso total: Pode-se dizer que recessão resultante da crise financeira terminou no verão passado.

Mas os historiadores nos dirão no futuro que esse não foi o fim da terceira depressão, da mesma forma que a melhora econômica em 1933 não foi o fim da Grande Depressão. Afinal de contas, o desemprego - especialmente o desemprego de longo prazo - mantém-se em níveis que seriam considerados catastróficos há alguns anos e não parecem estar a caminho do declínio. E tanto os Estados Unidos quando a Europa estão prestes a cair na armadilha deflacionária que atingiu o Japão.

Perante perspectivas tão sombrias, esperávamos que nossos legisladores se dessem conta de que ainda não fizeram o suficiente para promover a recuperação. Mas não: Nos últimos meses, observou-se a volta de um comportamento espantosamente ortodoxo com relação a empréstimos e orçamentos equilibrados.

Podemos observar uma volta mais evidente desse tipo de comportamento em discursos na Europa, onde oficiais parecem estar se inspirando em Herbert Hoover para compor sua retórica, incluindo a afirmação de que impostos mais altos e cortes de gastos irão de fato expandir a economia através da segurança comercial. Na prática, no entanto, os Estados Unidos não estão muito diferentes. A Reserva Federal parece saber dos riscos da deflação - mas não se propõe a fazer nada para mitigá-los. A administração Obama sabe dos perigos de uma austeridade fiscal prematura - mas, já que os republicanos e democratas conservadores se negam a autorizar um auxílio maior aos governos estaduais, essa austeridade é inevitável e se manifesta através de cortes de orçamento estadual e municipal.

Por que então esse tropeço político? Os conservadores normalmente citam os problemas da Grécia e outros países europeus para justificar suas ações. É verdade também que os investidores de ações passaram a preferir os governos com déficits incontroláveis. Mas não há provas de que a austeridade fiscal repentina em face a uma economia em depressão ofereça alguma garantia a investidores. Muito pelo contrário: A Grécia optou pela austeridade severa e teve como resultado um aumento ainda maior da sua instabilidade; a Irlanda impôs cortes ferozes nos gastos públicos e foi tratada pelos mercados como um risco maior do que a Espanha, que até então havia sido mais relutante em aceitar a solução proposta pelos conservadores.

É quase como se os mercados financeiros conseguissem entender o que os legisladores não conseguem: apesar de a responsabilidade fiscal de longo prazo ser importante, o corte repentino de gastos em uma depressão, que aumenta mais ainda essa depressão e precede a deflação, é também uma estratégia autodestrutiva.

Por isso eu acho que a Grécia não é a culpada, nem a preferência realista por trocar empregos por déficits. Na realidade, tudo isso se resume a um conservadorismo que pouco tem a ver com análises racionais e cujo maior dogma é impor sofrimento ao povo para mostrar liderança em momentos de crise.

E quem pagará o preço pelo triunfo desse conservadorismo? Dez milhões de trabalhadores desempregados, muitos deles, inclusive, que ficarão sem trabalho por anos ou até mesmo pelo resto da vida.

(*) Paul Krugman é economista, professor da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times. Ganhou o prêmio Nobel de economia de 2008.

Tradução: Terra Magazine

Versão original do artigo de Krugman no New York Times.

Outros artigos de Paul Krugman

A página pessoal do autor

sexta-feira, 26 de março de 2010

Bem estar como modo de vida

Uma Conversa com Deepak Chopra

Deepak Chopra foi entrevistado pela conhecida revista norte-americana Magical Blend, que nos concedeu a permissão parra reproduzir o texto. Ele fala sobe seus novos livros e sobe como viver em equilíbrio.

Michael Peter Langevin e Mike Richman publicado na revista Magical Blend (http:/
www.magicalblend.com).

Tradução: PM Agria. Imagem de abertura: Alex Alprim

O Dr. Deepak Chopra é, sem dúvida, uma das figuras mais respeitadas e populares nos campos de bem-estar e desenvolvimento humano.

Fundador e diretor do Chopra Center for Well Being, em La Jolla, California, ele é mundialmente conhecido como professor, palestrante e escritor, autor de mais de 3O1ivros, incluindo Torne-se Mais Jovem, Viva Mais Tempo (Grow Younger, Live Longer). Seu livro mais recente é The Deeper Wound: Recovering the Soulfrom Fear and Suffering (A Ferida Mais Profunda: Recuperando a Alma do Medo e do Sofrimento), publicado pela Harmony Books, que será lançado no Brasil pela Editora Rocco.

Gostamos muito de seu livro, Torne-se Mais Jovem, Viva Mais Tempo. Em sua visão, quais são os hábitos mais importantes que deveríamos cultivar para desenvolver longevidade, saúde e alegria?

Acho que o livro resume realmente tudo isso, mas eu diria que o fator mais importante é saber como controlar o estresse, ter uma experiência de vida que seja fácil, sem esforço, espontânea, não ter ansiedade, e ser alegre. Esse é o hábito mais importante que você pode cultivar como modo de vida.

O estresse é, obviamente, um culpado oculto e importante por trás de muita enfermidade, morte e doença. Como você recomendaria que reduzíssemos nosso nível de estresse, particularmente diante de alguns dos eventos dos últimos meses (os jornalistas referem-se ao atentado de 11 de setembro e suas conseqüências)? 

Obviamente, não existe qualquer fórmula; todas as pessoas têm suas técnicas favoritas. Podemos falar sobre música, meditação, ioga, técnicas respiratórias, relaxamento. A coisa mais importante para se entender é que as pessoas ficam estressadas quando suas necessidades são ameaçadas e que todos nós, como seres humanos, temos necessidades fundamentais tais como a sobrevivência, a segurança, o amor, a necessidade de possuir coisas, a auto-estima e a espiritualidade. Quando as necessidades são ameaçadas - e são ameaçadas, certamente, pela tragédia que aconteceu -, a primeira coisa é que as pessoas sentem-se arranca das do fluxo da vida. Sentem-se isoladas e separadas, e isso acarreta muito medo. Se o ocorrido for muito repentino, o medo levará ao choque, ao torpor e à negação, porque você não quer acreditar que aconteceu.

Segue-se uma fase de vulnerabilidade e desamparo.

Essa é uma oportunidade de fazer contatos, oferecer e procurar ajuda, e de se aproximar realmente de outras pessoas, pois esse estágio de vulnerabilidade e desamparo – se não for enfrentado apropriadamente através da procura e contato com pessoas - levará a ataques de pânico ou ansiedade aguda. Logo, procura-se um escape através da raiva e da hostilidade, pois a raiva serve para dois propósitos: ela lhe dá algo externo para focalizar, em vez de encarar o que está acontecendo no intenor; e também lhe dá uma sensação de controle, ou seja, a pessoa tem alguma coisa para fazer. Logo, a raiva e a hostilidade tornam-se justificativas para mais raiva e hostilidade e, através dessa justificativa, têm-se violência, intolerância e, finalmente, terrorismo, que depois leva a um estado de ansiedade crônica em que cada pequeno estímulo no ambiente provoca ansiedade. E, no final, muito desperdício de energia, depressão e culpa, o que depois perpetua o ciclo de raiva, hostilidade, ansiedade, depressão e culpa.

Essa é a anatomia do medo, sempre que nossas necessidades são ameaçadas. Então, para responder sua pergunta de uma maneira bastante simples, pergunte a si mesmo: "Do que estou precisando agora na área de sobrevivência, segurança, amor, posses, auto-estima e espiritualidade?" Depois, procure cumprir essas necessidades. Essa é a melhor maneira de impedir que seu corpo e mente entrem em entropia.

Como isso funciona no mundo cotidiano?

Existem três componentes em qualquer experiência: há o estímulo externo, uma interpretação interna e uma resposta biológica do corpo.

Então, considerando essas três coisas, podemos dizer que talvez possamos mudar o ambiente e, algumas vezes, isso é possível, outras, não.

Se ficar preso em um engarrafamento lhe causa muito estresse, então você pode mudar o ambiente, pode sair para trabalhar mais cedo, ou ir trabalhar mais tarde, mudar de emprego ou de casa. Então, primeiro você pergunta: "O que posso fazer para mudar o que vejo como uma ameaça para mim e para o ambiente? Como posso mudar o estímulo externo?" A segunda coisa que se pode fazer é dizer: "Muito bem! Não posso mudar o estímulo externo; o que posso fazer para reinventá-lo, para mudar o contexto do estímulo, para entender a oportunidade em seu bojo?" Em outras palavras, como posso fazer uma limonada só tendo limões?

Então, isso é reinventar, reinterpretar, mudar o contexto, e existem muitas maneiras cognitivas e perceptivas de fazer isso. A terceira coisa que se pode fazer é mudar sua resposta biológica.Você não muda o estímulo, não muda o contexto, mas pode mudar sua resposta biológica aprendendo a relaxar seu corpo ou aquietar sua mente. É aí que coisas como treinamento autógeno, reflexologia, relaxamento muscular progressivo, massagem, meditação e técnicas psicofisiológicas assumem um papel importante. Não há qualquer resposta pronta para todo mundo, mas quando você observa uma pessoa, você vê como a vida dela está transcorrendo, e você a ensina a como assumir responsabilidade por suas emoções, como vivenciá-las, identificá-las, exprimi-Ias, liberá-las, compartilhá-las, e como celebrar a experiência de vida sem criar intoxicação emocional e turbulência tóxica em seu sistema de mente-corpo.

Você diria, realmente, que o amor é a resposta definitiva para a maior parte desses problemas que temos entre nós ou com nós mesmos?

Sim, o amor é o oposto de medo e isolamento, mas você sabe que, se está se sentindo ameaçado em suas necessidades, provavelmente, nem mesmo terá tempo para pensar em amor.

Em seu livro, Como Conhecer Deus (How To Know God), você diz que as pessoas têm como escolher a forma pela qual se relacionam com Deus.

Sim, penso que a experiência divina depende do nível da consciência. Nas tradições orientais, esses níveis de consciência freqüentemente são referidos metaforicamente como os sete chakras. Em meu livro, expliquei os mesmos sete níveis de consciência em termos de respostas biológicas, começando com a resposta de luta/fuga, a reativa, a resposta de consciência em repouso, a intuitiva, a criativa, a visionária e, finalmente, a sacra. Então, começamos com níveis de consciência limitados e, na sétima resposta, chegamos a um nível de consciência infinito e desprendido, não-conceituai, inefável, porém experiencial. Assim, o livro é realmente uma versão contemporânea de um dos modos mais antigos de considerar a experiência da divindade.

Em sua própria vida, você é um exemplo para as pessoas devido à extensão, criatividade e produtividade de suas atividades cotidianas.

Bem, eu poderia lhe dizer que é a minha atitude interior que está acontecendo. O oceano se eleva em ondas e, depois, estas descem. Então, o fenômeno ao qual as pessoas se referem quando falam de Deepa Chopra é uma ondulação no oceano da consciência, que vai baixar em algum momento. E, enquanto isso durar, podemos nos divertir.

Como outras pessoas podem seguir seu exemplo, aumentando sua alegria de viver e melhorando a qualidade de sua existência?

Penso que a chave é não ser demasiadamente obstinado com relação às opiniões, não ser dogmático ou defensivo. É importante passar um tempo sozinho, praticar não-fixação ficar quieto, testemunhar mistério da vida que nos circunda em cada momento da nossa existência, enquanto ele acontece espontaneamente.

Quais seriam os maiores empecilhos que ficam no caminho das pessoas que despertam para essas mudanças?

Acho que quanto mais pensamos em nós mesmos maior será o impedimento Quanto mais nos concentra mos em objetivos pessoais gratificação do ego e ambição menos chance haverá de acessarmos os reinos mais profundos da existência. Algumas vezes, em momentos de silêncio, você consegue perceber que não existe uma pessoa; existe somente o universo fingindo ser uma pessoa.

Na procura das pessoas por Deus ao longo dos séculos, elas geralmente se voltavam para a religião. Contudo, o papel da religião na vida das pessoas parece estar mudando radicalmente.

Bem, o papel da religião tem sido etnocentrismo, fanatismo, racismo. ódio, guerra, limpeza étnica, assassinato e estupro. Vamos ser honestos: nenhuma religião pode afirmar ter realmente oferecido salvação para a humanidade. As religiões têm girado ao redor de controle, poder, conquista e dinheiro. Além disso, os fundadores da religião não foram fundadores intencionais. Não acredito que Cristo se considerava um cristão, que Buda se considerava um budista ou que Maomé se considerava um muçulmano. Essas são instituições que se desenvolveram depois, e mesmo tendo oferecido conforto e o senso de comunidade, globalmente elas dividiram mais do que unificaram. Então, à medida que entramos em um mundo, uma economia, uma cultura é uma internet globalizados, penso que também entraremos em uma espiritualidade globalizada.

Você acha que a religião se desenvolveu dessa forma porque tenta captar a verdade e engessá-la?

Ela faz isso. Outra coisa é que a Verdade é tão poderosa, e possui um efeito tão incrível nas vidas das pessoas, que os indivíduos que pensam que são donos dela - ou os que estão próximos daqueles que a forneceram - ficam tentados a usar esse poder para gratificação do ego. A tentação é ficar intoxicado pelo poder que ela lhe confere.

Você diria que o poder intoxicante é a mesma coisa que experimentar o contato com o Universo, ou com Deus?

Não é a mesma coisa, porque o vislumbre do poder real dá origem à tentação de usá-lo. O poder é bom se você não usá-lo para controlar outras pessoas. Penso que as pessoas realmente espirituais não têm qualquer direito ou poder sobre outras e, mesmo assim, são extremamente poderosas.

Muitos de seus livros têm aconselhado pessoas no sentido de viverem vidas mais saudáveis e satisfatórias. Que papel você acha que o corpo exerce no desenvolvimento espiritual das pessoas?

É muito importante. Se seu corpo não estiver saudável, você não irá ter a atenção focalizada para cultivar o estado de consciência que lhe confere uma experiência espiritual. De forma semelhante, se você for pobre e não conseguir se alimentar, não irá pensar em coisa alguma além de suplicar a Deus como um pedinte. Vivekananda, o grande filósofo indiano, costumava dizer que é um insulto falar sobre espiritualidade a alguém que está faminto - primeiro, você tem de alimentá-lo. Os pobres materialmente geralmente são pobres culturalmente, em educação, em consciência ou em espírito. Mas não enxergamos a pobreza como um desequilíbrio no ecossistema, em boa parte na mesma forma que a ostentosa e extravagante exibição de riqueza. Existe algo na exibição de extravagância e riqueza que pode ser vulgar e degradante. Acho que precisamos reconhecer que ambos os extremos são realmente perigosos para nossa evolução.

Como as pessoas podem agir para fazer diferença no estado do planeta?

Pergunte constantemente a si mesmo: "Como posso ajudar? Qual é o meu papel, como posso servir?" E reconheça que há alegria, realização e sucesso tremendos que provêm disso. A chave do sucesso é saber que, quando você não se prende a ele como objetivo propriamente dito, é aí que ele acontece.

Quando escuto alguma de suas fitas ou converso com pessoas que o ouviram falar, você parece ter uma capacidade incrível de fornecer informações, fatos e cifras. Você sente que fez alguma coisa para acentuar a capacidade de funcionamento de seu cérebro ou mente? 

Desde a infância, tenho um apetite voraz por ler e aprender, e faço isso o tempo todo. Também estou sempre escrevendo. Posso estar escrevendo quatro ou cinco livros ao mesmo tempo e, simultaneamente, estar lendo quatro, cinco ou dez livros. Acho que sou um compulsivo-obsessivo!

Parece que você se dá muito bem com isso. Qual você acha ser o melhor conselho que podemos dar aos leitores de nossa revista?

Existem quatro maneiras de entrar em contato com a divindade, que são descritas nas tradições orientais.

Chamam-se os quatro iogas, com ioga significando "união". O primeiro é o karma voga, que significa o ioga de ação. O ensinamento básico é que não importa o que você faça, sempre que agir, sinta que é um instrumento do divino, que cada ação sua, cada respiração sua, é um movimento divino do eterno. Como resultado disso, você nunca tem de se preocupar com as conseqüências, pois sempre estará fazendo a coisa certa. Se você tiver a atitude interior de que é um instrumento para que a inteligência universal se expresse, então isso acontecerá. O segundo é o raja yoga, que é a prática de meditação, oração, solidão, introspecção e contemplação. O terceiro é o bhakti yoga, que é o amor. Faça do amor as relações mais importantes e promissoras, e a atividade mais importante de sua vida. O quarto é o jnana yoga, o cultivo do intelecto. Estude, leia, procure por sinais.- os sinais são o melhor caminho para compreender as leis da natureza, e o que são essas leis se não os pensamentos de Deus?

Quando você fala do divino, você o imagina como uma entidade individual?

Você pode fazer isso se ajudá-lo, mas para mim o divino é a inteligência infinita que se orquestra em tudo, desde uma folha de capim até galáxias e supernovas, buracos negros e todos os universos que continuam se expandindo no infinito, bem como meus pensamentos e sensações mais íntimos.

Você acha que a forma como nossas vidas se desdobram, com todos seus desafios, reveses e desapontamentos, é realmente o universo tentando experimentar ou expandir suas experiências? Que a maneira pela qual nossas vidas se desdobram, com todos os seus reveses, desapontamentos e dificuldades, é o universo experimentando através de cada Indivíduo? 

Acho que, provavelmente, essa é uma boa maneira de ver a questão. O universo não tem significado, inerentemente. Os significados que nós lhe conferimos provêm do contexto, das relações e experiências de nossa própria vida, de forma que o contexto, o significado e a relação ficam entrelaçados. E se você tem a atitude de que as dificuldades e adversidades que experimentamos podem ser oportunidades para crescimento pessoal, então isso caminhará nessa direção. Se você der outra interpretação, então isso levará ao sofrimento. A interpretação depende de nós.

Falando sobre equilíbrio e sustentabilidade, como você definiria a frase "viver em equilíbrio" a partir da perspectiva do indivíduo, bem como da sociedade mundial?

Equilíbrio, em termos médicos, é uma coisa chamada homeostase, que significa que sempre existe uma alça de retroalimentação auto-referida que mantém um estado de não-alteração dinâmica no meio da mudança. Assim, seu nível de açúcar no sangue permanece entre 8O e 12O, seu nível de colesterol permanece entre determinados níveis - em outras palavras, há uma variação de não-alteração no estado de mudança dinâmica. Tanto a mudança quanto a não-alteração são mantidas dinamicamente juntas em homeostase - esse é o estado de equilíbrio, e só pode ser atingido através de uma integração de corpo, mente, espírito e ambiente em uma série contínua. Você começa a ver que o ambiente é uma extensão de seu corpo, que seu corpo é uma extensão de sua mente, que sua mente é uma extensão da consciência e que, no nível mais profundo, você é a consciência que projeta mente, corpo e ambiente. O ambiente em que você se encontra é o que você criou, e assumir responsabilidade, portanto, significa entender a mecânica dessa não-alteração dinâmica no meio da mudança, e é a isso que todas as tradições de conhecimento se referem.

Podemos reprogramar essas dinâmicas e mecanismos?

Não gosto de usar apalavra "programa", pois ela envolve manipulação, e eu não gostaria de manipular o que é natural. Acho que podemos sair da programação que nos faz ficar desequilibrados, que é realmente a hipnose de nosso condicionamento social, cultural e, freqüentemente, religioso.

Juntamente com o livro Torne-se Mais Jovem, Viva Por Mais Tempo, você fez um CD, com o talentoso Dave Stewart, que muitos conhecem da banda Eurythmics. Como isso aconteceu?

Dave freqüenta minhas palestras e se interessa por esse assunto. Freqüentemente, após as palestras, passávamos alguns minutos improvisando diante do público. Sempre houve uma boa resposta, então, um dia dissemos: "Vamos fazer!"

Como você definiria sua prática diária pessoal?

Eu medito cerca de 1 h3O a 2 horas todos os dias, e me exercito cerca de 1h3O a 2 horas. Meu dia começa às 4 horas da manhã, e vou para a cama geralmente por volta de l Oh ou l Oh3O da noite. Exceto quanto a essas duas coisas em que sou bastante regular, tudo mais é muito espontâneo, dependendo do que preciso durante o dia; assim, não fico preso a qualquer resultado.

Seu exercício é predominantemente ioga?

Não. Na verdade, é uma combinação de uma hora de exercícios cardiovasculares e vinte minutos de ioga. Depois, também faço treinamento com pesos.

Finalmente, com referência a dois de seus projetos recentes, se nosso propósito é "conhecer Deus", bem como "nos tornarmos mais jovens e vivermos mais", você acha que se as pessoas conhecessem verdadeiramente Deus, elas iriam querer viver mais? 

Penso que a única razão para viver mais seria usar seu corpo e mente para explorar a consciência. O desejo de viver mais, ou de não prolongar a vida, seria bastante pessoal. Ele se basearia no karma de uma pessoa. Portanto, seria algo bastante individual. A razão principal para viver uma vida longa e saudável é que seu corpo é o veículo para sua consciência, e se você vai entrar nessa rodovia cósmica, bem que você poderia ter uma boa viagem.

Notas:


Revista Sexto Sentido
Número 34
Páginas 12-17