Mostrando postagens com marcador ValoresPartilhados. Lideranca. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ValoresPartilhados. Lideranca. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de julho de 2010

Ressonância mórfica: a teoria do centésimo macaco

Ressonância mórfica: a teoria do centésimo macaco


Na biologia, surge uma nova hipótese que promete revolucionar toda a ciência


Era uma vez duas ilhas tropicais, habitadas pela mesma espécie de macaco, mas sem qualquer contato perceptível entre si. Depois de várias tentativas e erros, um esperto símio da ilha “A” descobre uma maneira engenhosa de quebrar cocos, que lhe permite aproveitar melhor a água e a polpa. Ninguém jamais havia quebrado cocos dessa forma. Por imitação, o procedimento rapidamente se difunde entre os seus companheiros e logo uma população crítica de 99 macacos domina a nova metodologia. Quando o centésimo símio da ilha “A” aprende a técnica recém-descoberta, os macacos da ilha “B” começam espontaneamente a quebrar cocos da mesma maneira.


Não houve nenhuma comunicação convencional entre as duas populações: o conhecimento simplesmente se incorporou aos hábitos da espécie. Este é uma história fictícia, não um relato verdadeiro. Numa versão alternativa, em vez de quebrarem cocos, os macacos aprendem a lavar raízes antes de comê-las. De um modo ou de outro, porém, ela ilustra uma das mais ousadas e instigantes idéias científicas da atualidade: a hipótese dos “campos mórficos”, proposta pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake. Segundo o cientista, os campos mórficos são estruturas que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material.

Átomos, moléculas, cristais, organelas, células, tecidos, órgãos, organismos, sociedades, ecossistemas, sistemas planetários, sistemas solares, galáxias: cada uma dessas entidades estaria associada a um campo mórfico específico. São eles que fazem com que um sistema seja um sistema, isto é, uma totalidade articulada e não um mero ajuntamento de partes.

Sua atuação é semelhante à dos campos magnéticos, da física. Quando colocamos uma folha de papel sobre um ímã e espalhamos pó de ferro em cima dela, os grânulos metálicos distribuem-se ao longo de linhas geometricamente precisas. Isso acontece porque o campo magnético do ímã afeta toda a região à sua volta. Não podemos percebê-lo diretamente, mas somos capazes de detectar sua presença por meio do efeito que ele produz, direcionando as partículas de ferro. De modo parecido, os campos mórficos distribuem-se imperceptivelmente pelo espaço-tempo, conectando todos os sistemas individuais que a eles estão associados. A analogia termina aqui, porém. Porque, ao contrário dos campos físicos, os campos mórficos de Sheldrake não envolvem transmissão de energia. Por isso, sua intensidade não decai com o quadrado da distância, como ocorre, por exemplo, com os campos gravitacional e eletromagnético. O que se transmite através deles é pura informação. É isso que nos mostra o exemplo dos macacos. Nele, o conhecimento adquirido por um conjunto de indivíduos agrega-se ao patrimônio coletivo, provocando um acréscimo de consciência que passa a ser compartilhado por toda a espécie.

Até os cristais

O processo responsável por essa coletivização da informação foi batizado por Sheldrake com o nome de “ressonância mórfica”. Por meio dela, as informações se propagam no interior do campo mórfico, alimentando uma espécie de memória coletiva. Em nosso exemplo, a ressonância mórfica entre macacos da mesma espécie teria feito com que a nova técnica de quebrar cocos chegasse à ilha “B”, sem que para isso fosse utilizado qualquer meio usual de transmissão de informações.

Parece telepatia. Mas não é. Porque, tal como a conhecemos, a telepatia é uma atividade mental superior, focalizada e intencional que relaciona dois ou mais indivíduos da espécie humana. A ressonância mórfica, ao contrário, é um processo básico, difuso e não-intencional que articula coletividades de qualquer tipo. Sheldrake apresenta um exemplo desconcertante dessa propriedade.

Quando uma nova substância química é sintetizada em laboratório – diz ele -, não existe nenhum precedente que determine a maneira exata de como ela deverá cristalizar-se. Dependendo das características da molécula, várias formas de cristalização são possíveis. Por acaso ou pela intervenção de fatores puramente circunstanciais, uma dessas possibilidades se efetiva e a substância segue um padrão determinado de cristalização. Uma vez que isso ocorra, porém, um novo campo mórfico passa a existir. A partir de então, a ressonância mórfica gerada pelos primeiros cristais faz com que a ocorrência do mesmo padrão de cristalização se torne mais provável em qualquer laboratório do mundo. E quanto mais vezes ele se efetivar, maior será a probabilidade de que aconteça novamente em experimentos futuros.

Com afirmações como essa, não espanta que a hipótese de Sheldrake tenha causado tanta polêmica. Em 1981, quando ele publicou seu primeiro livro, A New Science of Life (Uma nova ciência da vida), a obra foi recebida de maneira diametralmente oposta pelas duas principais revistas científicas da Inglaterra. Enquanto a New Scientist elogiava o trabalho como “uma importante pesquisa científica”, a Nature o considerava “o melhor candidato à fogueira em muitos anos”.

Doutor em biologia pela tradicional Universidade de Cambridge e dono de uma larga experiência de vida, Sheldrake já era, então, suficientemente seguro de si para não se deixar destruir pelas críticas. Ele sabia muito bem que suas idéias heterodoxas não seriam aceitas com facilidade pela comunidade científica. Anos antes, havia experimentado uma pequena amostra disso, quando, na condição de pesquisador da Universidade de Cambridge e da Royal Society, lhe ocorreu pela primeira vez a hipótese dos campos mórficos. A idéia foi assimilada com entusiasmo por filósofos de mente aberta, mas Sheldrake virou motivo de gozação entre seus colegas biólogos. Cada vez que dizia alguma coisa do tipo “eu preciso telefonar”, eles retrucavam com um “telefonar para quê? Comunique-se por ressonância mórfica”.

Era uma brincadeira amistosa, mas traduzia o desconforto da comunidade científica diante de uma hipótese que trombava de frente com a visão de mundo dominante. Afinal, a corrente majoritária da biologia vangloriava-se de reduzir a atividade dos organismos vivos à mera interação físico-química entre moléculas e fazia do DNA uma resposta para todos os mistérios da vida. A realidade, porém, é exuberante demais para caber na saia justa do figurino reducionista.

Exemplo disso é o processo de diferenciação e especialização celular que caracteriza o desenvolvimento embrionário. Como explicar que um aglomerado de células absolutamente iguais, dotadas do mesmo patrimônio genético, dê origem a um organismo complexo, no qual órgãos diferentes e especializados se formam, com precisão milimétrica, no lugar certo e no momento adequado?

A biologia reducionista diz que isso se deve à ativação ou inativação de genes específicos e que tal fato depende das interações de cada célula com sua vizinhança (entendendo-se por vizinhança as outras células do aglomerado e o meio ambiente). É preciso estar completamente entorpecido por um sistema de crenças para engolir uma “explicação” dessas. Como é que interações entre partes vizinhas, sujeitas a tantos fatores casuais ou acidentais, podem produzir um resultado de conjunto tão exato e previsível? Com todos os defeitos que possa ter, a hipótese dos campos mórficos é bem mais plausível. Uma estrutura espaço-temporal desse tipo direcionaria a diferenciação celular, fornecendo uma espécie de roteiro básico ou matriz para a ativação ou inativação dos genes.

Ação modesta

A biologia reducionista transformou o DNA numa cartola de mágico, da qual é possível tirar qualquer coisa. Na vida real, porém, a atuação do DNA é bem mais modesta. O código genético nele inscrito coordena a síntese das proteínas, determinando a seqüência exata dos aminoácidos na construção dessas macromoléculas. Os genes ditam essa estrutura primária e ponto. “A maneira como as proteínas se distribuem dentro das células, as células nos tecidos, os tecidos nos órgãos e os órgãos nos organismos não estão programadas no código genético”, afirma Sheldrake. “Dados os genes corretos, e portanto as proteínas adequadas, supõe-se que o organismo, de alguma maneira, se monte automaticamente. Isso é mais ou menos o mesmo que enviar, na ocasião certa, os materiais corretos para um local de construção e esperar que a casa se construa espontaneamente.”



A morfogênese, isto é, a modelagem formal de sistemas biológicos como as células, os tecidos, os órgãos e os organismos seria ditada por um tipo particular de campo mórfico: os chamados “campos morfogenéticos”. Se as proteínas correspondem ao material de construção, os “campos morfogenéticos” desempenham um papel semelhante ao da planta do edifício. Devemos ter claras, porém, as limitações dessa analogia. Porque a planta é um conjunto estático de informações, que só pode ser implementado pela força de trabalho dos operários envolvidos na construção. Os campos morfogenéticos, ao contrário, estão eles mesmos em permanente interação com os sistemas vivos e se transformam o tempo todo graças ao processo de ressonância mórfica.


Tanto quanto a diferenciação celular, a regeneração de organismos simples é um outro fenômeno que desafia a biologia reducionista e conspira a favor da hipótese dos campos morfogenéticos. Ela ocorre em espécies como a dos platelmintos, por exemplo. Se um animal desses for cortado em pedaços, cada parte se transforma num organismo completo.

Forma original

O sucesso da operação independe da forma como o pequeno verme é seccionado. O paradigma científico mecanicista, herdado do filósofo francês René Descartes (1596-1650), capota desastrosamente diante de um caso assim. Porque Descartes concebia os animais como autômatos e uma máquina perde a integridade e deixa de funcionar se algumas de suas peças forem retiradas. Um organismo como o platelminto, ao contrário, parece estar associado a uma matriz invisível, que lhe permite regenerar sua forma original mesmo que partes importantes sejam removidas.

A hipótese dos campos morfogenéticos é bem anterior a Sheldrake, tendo surgido nas cabeças de vários biólogos durante a década de 20. O que Sheldrake fez foi generalizar essa idéia, elaborando o conceito mais amplo de campos mórficos, aplicável a todos os sistemas naturais e não apenas aos entes biológicos. Propôs também a existência do processo de ressonância mórfica, como princípio capaz de explicar o surgimento e a transformação dos campos mórficos. Não é difícil perceber os impactos que tal processo teria na vida humana. “Experimentos em psicologia mostram que é mais fácil aprender o que outras pessoas já aprenderam”, informa Sheldrake.

Ele mesmo vem fazendo interessantes experimentos nessa área. Um deles mostrou que uma figura oculta numa ilustração em alto contraste torna-se mais fácil de perceber depois de ter sido percebida por várias pessoas. Isso foi verificado numa pesquisa realizada entre populações da Europa, das Américas e da África em 1983. Em duas ocasiões, os pesquisadores mostraram ilustrações a pessoas que não conheciam suas respectivas “soluções”. Entre uma enquete e outra, uma das figuras e sua “resposta” foram transmitidas pela TV. Verificou-se que o índice de acerto na segunda mostra subiu 76% para esta ilustração, contra apenas 9% para a ilustração não mostrada na TV.

Aprendizado

Se for definitivamente comprovado que os conteúdos mentais se transmitem imperceptivelmente de pessoa a pessoa, essa propriedade terá aplicações óbvias no domínio da educação. “Métodos educacionais que realcem o processo de ressonância mórfica podem levar a uma notável aceleração do aprendizado”, conjectura Sheldrake. E essa possibilidade vem sendo testada na Ross School, uma escola experimental de Nova York dirigida pelo matemático e filósofo Ralph Abraham.

Outra conseqüência ocorreria no campo da psicologia. Teorias psicológicas como as de Carl Gustav Jung e Stanislav Grof, que enfatizam as dimensões coletivas ou transpessoais da psique, receberiam um notável reforço, em contraposição ao modelo reducionista de Sigmund Freud.

Sem excluir outros fatores, o processo de ressonância mórfica forneceria um novo e importante ingrediente para a compreensão de patologias coletivas, como o sadomasoquismo e os cultos da morbidez e da violência, que assumiram proporções epidêmicas no mundo contemporâneo, e poderia propiciar a criação de métodos mais efetivos de terapia.

“A ressonância mórfica tende a reforçar qualquer padrão repetitivo, seja ele bom ou mal”, afirmou Sheldrake. “Por isso, cada um de nós é mais responsável do que imagina. Pois nossas ações podem influenciar os outros e serem repetidas”.

De todas as aplicações da ressonância mórfica, porém, as mais fantásticas insinuam-se no domínio da tecnologia. Computadores quânticos, cujo funcionamento comporta uma grande margem de indeterminação, seriam conectados por ressonância mórfica, produzindo sistemas em permanente transformação. “Isso poderia tornar-se uma das tecnologias dominantes do novo milênio”, entusiasma-se Sheldrake.

Descubra as figuras ocultas

Um experimento coordenado por Sheldrake mostrou que é mais fácil identificar uma figura oculta numa ilustração em alto contraste depois de ela já ter sido percebida por outras pessoas. O índice de acerto para uma ilustração cresceu 76% depois de ela ter sido transmitida pela televisão. O de outra ilustração, que não foi televisionada, subiu apenas 9%. A enquete foi realizada na Europa, nas Américas e na África e as pessoas entrevistadas não conheciam de antemão as “respostas”. Outras duas ilustrações, estão sendo publicadas atualmente na Internet pela revista espanhola El Mercurio.

Anote
Site na internet:
www.sheldrake.org
Livros em português:

O Renascimento da Natureza: o Reflorescimento da Ciência e de Deus, de Rupert Sheldrake, Ed. Cultrix
Caos, Criatividade e o Retorno do Sagrado: Triálogos nas Fronteiras do Ocidente, de Ralph Abraham, Terence McKenna e Rupert Sheldrake, Ed. Cultrix/Pensamento
Sete Experimentos que Podem Mudar o Mundo
Sete Experimentos que Podem Mudar o Mundo
A Presença do Passado
A Presença do Passado
A Sensação de Estar Sendo Observado
A Sensação de Estar Sendo Observado
Livros em inglês:

A New Science of Life: the Hipothesis of Morphic Resonance, de Rupert Sheldrake

The Presence of the Past: Morphic Resonance and the Habits of Nature, de Rupert Sheldrake

Natural Grace: Dialogues on Creation, Darkness and the Soul in Spirituality and Science, de Matthew Fox e Rupert Sheldrake

The Physics of Angels: Exploring the Realm where Science and Spirit Meet, de Matthew Fox e Rupert Sheldrake

Seven Experiments that Could Change the World: a Do-It-Yourself Guide to Revolutionary Science, de Rupert Sheldrake

Reflexão Profunda: O Centésimo Macaco - "quando um certo número crítico atinge a consciência, essa nova consciência pode ser comunicada de uma mente a outra. "

De:


De:
  

O centésimo macaco

O macaco japonês Macaca Fuscata vinha sendo observado há mais de trinta anos em estado natural. Em 1952, os cientistas jogaram batatas-doces cruas nas praias da ilha de Kochima para os macacos. Eles apreciaram o sabor das batatas-doces, mas acharam desagradável o da areia. Uma fêmea de um ano e meio, chamada Imo, descobriu que lavar as batatas num rio próximo resolvia o problema. E ensinou o truque à sua mãe. Seus companheiros também aprenderam a novidade e a ensinaram às respectivas mães.


Aos olhos dos cientistas, essa inovação cultural foi gradualmente assimilada por vários macacos. Entre 1952 e 1958 todos os macacos jovens aprenderam a lavar a areia das batatas-doces para torná-las mais gostosas. Só os adultos que imitaram os filhos aprenderam este avanço social. Outros adultos continuaram comendo batata-doce com areia. Foi então que aconteceu uma coisa surpreendente. No outono de 1958, na ilha de Kochima, alguns macacos – não se sabe ao certo quantos – lavavam suas batatas-doces.

Vamos supor que, um dia, ao nascer do sol, noventa e nove macacos da ilha de Kochima já tivessem aprendido a lavar as batatas-doces. Vamos continuar supondo que, ainda nessa manhã, um centésimo macaco tivesse feito uso dessa prática.

Então aconteceu!
 
Nessa tarde, quase todo o bando já lavava as batatas-doces antes de comer. O acréscimo de energia desse centésimo macaco rompeu, de alguma forma, uma barreira ideológica!
 
Mas veja só:
Os cientistas observaram uma coisa deveras surpreendente: o hábito de lavar as batatas-doces havia atravessado o mar. Bandos de macacos de outras ilhas, além dos grupos do continente, em Takasakiyama, também começaram a lavar suas batatas-doces. Assim, quando um certo número crítico atinge a consciência, essa nova consciência pode ser comunicada de uma mente a outra.

O número exato pode variar, mas o Fenômeno do Centésimo Macaco significa que, quando só um número limitado de pessoas conhece um caminho novo, ele permanece como patrimônio da consciência dessas pessoas. Mas há um ponto em que, se mais uma pessoa se sintoniza com a nova percepção, o campo se alarga de modo que essa percepção é captada por quase todos!

Você pode ser o centésimo macaco!

Essa experiência nos proporciona uma reflexão sobre a direção de nossos pensamentos. De certo modo, já sabemos que para onde vai o nosso pensamento segue a nossa energia. Grupos pensando e agindo numa mesma freqüência em várias partes do Planeta têm as mesmas sensações e acabam fazendo as mesmas coisas sem nunca terem se comunicado. Isso vale tanto para aqueles que praticam o bem como para aqueles que usam de suas faculdades para o mal. O acréscimo de energia, neste caso, pode ser aquela que você está enviando com o seu pensamento sintonizado na freqüência do crime noticiado que gera comoção geral. Parece coincidência, mas sempre que um crime choca e comove multidões, de imediato outros fatos semelhantes pipocam em diversos lugares. Será isso o efeito do centésimo macaco às avessas?

Ao invés de indignar-se diante do crime noticiado, direcionando inconscientemente seu pensamento e sua energia para essas pessoas ou grupos que se aproveitam dessa energia toda para materializar mais crimes, neutralize com pensamentos conscientes de amor e perdão. Mude de canal na TV, vire a página do jornal, saia da freqüência e não alimente ainda mais a insanidade daqueles que tendem para o crime, e, também, daqueles que lucram com as desgraças alheias. São todos igualmente insanos, tanto aquele que pratica o crime quanto aquele esbraveja palavrões de indignação por horas diante das câmeras, criando comoção e levantando a energia que se materializará nas mãos daquele que está com a arma já engatilhada.

Gerar material para construir um mundo melhor não requer tanto de grandes ações, quanto essencialmente grandes blocos de consciência. É preciso que mais gente se sintonize na freqüência e coloque aquele acréscimo de energia que pode gerar uma nova consciência em outros grupos em outras partes do Planeta. Se cada um de nós dedicar alguns minutos todos os dias para meditar,entrando em sintonia com a freqüência do amor, basta para mudar muitas coisas desagradáveis acontecendo em nosso Planeta e criar uma nova consciência.

Seja você também um “centésimo macaco” – para o bem!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

"Jesus Viveu na Índia": A desconhecida história de Cristo antes e depois da crucificação


HISTÓRIA DAS RELIGIÕES / História do conceito de Deus - Resenha: "Jesus Viveu na Índia": A desconhecida história de Cristo antes e depois da crucificação



31 DE DEZEMBRO DE 2009


Resenha: "Jesus Viveu na Índia"http://bertonesousa.blogspot.com/2009/12/resenha-jesus-viveu-na-india.html


Já faz algum tempo que li a obra de Holger Kersten, "Jesus viveu na Índia", escrevi uma resenha e a guardei em meu e-mail. Agora, quero compartilhar com os leitores minha percepção dessa leitura, livro que considero instigante pela tese que defende e por tentar lançar uma luz sobre o paradeiro de Jesus após sua crucificação. Ainda é assaz difícil para a maioria das pessoas em nossa sociedade separar a figura do Jesus histórico do Jesus religioso, personagem forjado pelos Evangelhos e pela Igreja no decorrer dos séculos. Sobre o debate acerca da existência ou não de Jesus tem havido diversas pesquisas sobre o assunto. Pessoalmente, sou mais simpático à tese de que ele de fato existiu e, através de uma busca na internet, o leitor poderá encontrar menções a fontes que podem corroborar essa perspectiva. 

Como historiador, tenho tido contato com a obra de diversos autores que esquadrinham as características do Jesus histórico, analisam seu personagem e os documentos que se referem a ele. Nas últimas décadas tem havido uma densa produção sobre ele, a partir de novos documentos encontrados (como o Evangelho de Judas, os pergaminhos do Mar Morto, entre outros) que têm auxiliado a elucidar questões sobre sua época e a cultura onde viveu. Como, por muito tempo, a maior parte dos documentos estavam em mãos da Igreja, as descobertas arqueológicas recentes proporcionaram aos historiadores e outros interessados, materiais parar perscrutarem quem realmente foi Jesus, o que fez e qual seu paradeiro. A obra que apresento a seguir é resultado de uma série de pesquisas feitas pelo autor para tentar solucionar essa questão a partir do contato que teve com escritos de um historiador russo. 

KERSTEN, Holger. Jesus viveu na Índia: A desconhecida história de Cristo antes e depois da crucificação. Rio de Janeiro: Editora Best Seller, 2005.
Holger Kersten nasceu em Magdeburgo, cidade da antiga Alemanha Oriental, em 1951. Emigrou para a Alemanha Ocidental em 1962, onde realizou estudos de História, Arqueologia e religião. Estudou ainda Teologia em Freiburg e, para realizar essa pesquisa fez uma série de viagens ao oriente: Índia, Afeganistão, Oriente Médio e Israel. A obra foi originalmente publicada em 1986.

Na introdução, há uma crítica ao secularismo das sociedades modernas e à forma como o Cristianismo está organizado. O avanço científico e tecnológico, que pôs em marcha a secularização e o culto à razão, levaram à crise do sentimento religioso. Entre os causadores disso, estão as próprias igrejas, cuja insistência em interpretar literalmente a Bíblia e impor sua autoridade tem afetado muitos fiéis.

O Cristianismo atual não é uma prática dos ensinamentos de Cristo, mas de Paulo. O “Paulinismo” foi o que se tornou religião oficial, e cujos ensinamentos, em sua quase totalidade, são opostos aos de Cristo. Ao transformar a mensagem de Jesus em discursos vazios ao longo de vinte séculos, a própria cristandade mergulhou em profunda indiferença religiosa. É necessário reorientar-se na busca por uma religião universal, em que o Oriente, especialmente a Índia, pode fornecer um vivo exemplo.

A tese do livro tem como plano de fundo as descobertas feitas no fim do século XIX por um historiador russo chamado Nicolai Notovitch, numa viagem que fez à Índia, região da Caxemira. Num mosteiro budista, ouviu relatos sobre um profeta israelita chamado Issa, cujas histórias achou parecidas com as de Jesus; recebeu dos monges dois livros antigos que leu com a ajuda de um tradutor.

Os livros falam sobre o nascimento de um menino "divino" em Israel chamado Issa, que aos catorze anos chega à região do Indo a fim de estudar o budismo. Por criticar a sociedade de castas do Hinduísmo é pressionado a sair, e segue para o Nepal (onde passa seis anos) e para a Pérsia. Além de Notovitch, um outro escrito que fala sobre a presença de Jesus na Índia entre seus doze e vinte e nove anos (fase de sua vida não-narrada nos Evangelhos) é o Evangelho Aquariano de Jesus Cristo, escrito em Ohio por um filho de pastor protestante chamado Levi H. Dowling.

Kersten realizou viagens ao Himalaia a partir de 1973, a fim de investigar a tese de Notovitch; lá, confirmou, através de registros médicos, que o historiador russo esteve presente na região e encontra um arqueólogo, Hassnaim, que, há vinte anos, vinha pesquisando sobre o mesmo tema.

A seguir, faz considerações sobre Moisés, a origem e evolução histórica dos hebreus, e, baseado em livros de Helena Petrowna Blavatsky, levanta a hipótese de os israelitas terem chegado à Índia, possivelmente durante o reinado de Salomão, o que explica o conhecimento que a população da Caxemira tem de sua passagem, bem como os costumes em comum que eles possuem com os judeus, como não usar gordura animal e vegetal para frituras e assados, preferência por peixe cozido, o hábito de as mulheres passarem quarenta dias sem tomar banho ao gerar um filho, os homens usarem o solidéu judaico, e a língua falada na Caxemira foi fortemente influenciada pelo hebraico, o que a diferencia das outras línguas indianas.
Traça também um paralelo entre a vida de Buda e a de Jesus, mostrando profunda semelhança entre seus modos de vida e ensinamentos, como o fato de ambos começarem a pregar com aproximadamente a mesma idade, escolherem a pobreza como modo de vida, pregarem através de parábolas, terem como primeiros seguidores dois irmãos, ambos foram traídos por um discípulo; como Cristo criticava os fariseus, Buda criticava os brâmanes, ensinam a pagar o mal com o bem, não acumular riquezas, entre outras semelhanças.

O fato dos evangelhos nada narrarem sobre a vida de Jesus entre seus doze e vinte e nove anos, torna possível que nesse ínterim ele tenha adquirido vastos conhecimentos sobre filosofia oriental. O mundo helenizado de sua época também favorecia isso, já que em Alexandria, no Egito, haviam mestres budistas. O batismo por imersão na água também é uma tradição que provem da Índia, cuja prática era comum na Judeia, onde antes a remissão de pecados era obtida através do derramamento (sacrifício) de sangue.

Também é feito um paralelo entre Jesus e krishna (um dos principais deuses do hinduísmo). Krishna ensinava por parábolas, pretendia reformar a religião existente assim como Jesus queria fazer em relação ao judaísmo; ele ensinava amor ao próximo, falava da misericórdia de um deus criador, vivia na pobreza e levava uma vida de peregrino. Alem dele, a religião persa de Zaratustra e o culto a Mitra, deus morto e ressuscitado, também exerceu ampla influência sobre o Cristianismo.

Posteriormente, são feitas considerações sobre a “morte” de Cristo. Chama-se a atenção para o fato de ninguém ter presenciado sua ressurreição, sendo ela um acontecimento existente apenas na fé dos cristãos. Comenta ainda sobre o sudário, o polêmico lençol que teria envolvido o corpo de Jesus no túmulo, cuja autenticidade foi posta à prova por várias investigações científicas, alem de relatar os lugares por onde passou. Paulo usou a ausência de provas sobre a ressurreição para formular a doutrina da redenção, que ele transformou em cerne do Cristianismo.

Os relatos dos evangelhos também não deixam claro se Jesus morreu de fato na cruz. Ao ser retirado dela, ele não poderia estar morto, já que vinte e oito de seus ferimentos continuavam a sangrar; e se o sangue arterial ainda corre, é sinal de funcionamento do sistema circulatório. Essas conclusões foram tiradas a partir das análises médicas feitas com as marcas de sangue no sudário, e até hoje os médicos não conseguem estabelecer o momento de sua morte clínica. Além disso, José de Arimateia, que pagou para sepultá-lo, usou uma mistura de mirra e aloés, medicação eficaz para tratamento de feridas abertas. Após realizar experiências com esses dois produtos, Kersten concluiu que, colocada no tecido, o deixa impregnado de resina elástica, o que impede a absorção. Por isso os coágulos de sangue no lençol podem ser vistos nitidamente.

O que é narrado sobre o período entre a morte e a ressurreição na bíblia é totalmente obscuro. Sobre ele ter revivido três dias depois da crucificação é apenas simbólico, pois três é um número místico. O certo é que em seus primeiros reaparecimentos, Jesus não se mostrava em público porque poderia ser novamente preso. Por isso, teve de sair da Palestina. O encontro que teve com Paulo, no caminho de Damasco, ocorreu aproximadamente dois anos após a crucificação. Nesse lugar, ele vivia sob a proteção dos essênios. A cinco quilômetros de Damasco há uma cidade chamada Mayuam-I-Isa, “o lugar em que Jesus viveu”. Segundo o historiador persa Mir Kawand, nesse lugar ele viveu e ensinou após ter sido crucificado.

Dezesseis anos depois, Jesus retornou à Caxemira onde era conhecido pelo nome de Yuz Asaf, que significa “líder dos curados”. Segundo o Alcorão ele não morreu na cruz; na fé islâmica é conhecido pelo nome de Issa (Isa). Existem vinte e um documentos que comprovam sua presença na Caxemira. Entre eles, há uma coletânea de antigas narrativas hindus chamadas Puranas (velho), em dezoito volumes. O nono fala sobre o estabelecimento dos israelitas e de Jesus na Índia. Ele se identifica para o rei como vindo de país estrangeiro, filho de Deus, nascido de uma virgem, fala de seu sofrimento e afirma ser Isa-Masih, que quer dizer “Jesus, o Messias”
Na Caxemira ele viveu até os oitenta anos e foi sepultado na antiga cidade de Srinagar. No tumulo há um rosário e um crucifixo e duas pegadas gravadas em pedra com feridas de crucificação. O escultor deixou evidente que o pé esquerdo foi posto sobre o direito, sendo que o mesmo foi descoberto na análises feitas nas manchas de sangue do sudário, que hoje se encontra em Turim, na Itália. Como a crucificação era desconhecida na Ásia, presume-se que o sepulcro seja de Jesus.

Várias fontes históricas da Caxemira confirmam que Jesus e Yuz Asaf são a mesma pessoa. Um livro escrito no século X chamado Ikamal-ud-Din, escrito por um historiador árabe relata duas viagens feitas por Jesus à Índia e sua morte na Caxemira. No livro há trechos de ensinamentos dele semelhantes aos dos evangelhos.Todos os anos seu túmulo (que tem uma inscrição contendo seu nome) é visitado por peregrinos muçulmanos, hindus, budistas e cristãos.

Na conclusão do livro, o autor volta a fazer críticas a Paulo, que ao enfatizar a morte de Cristo, condicionou a ela toda a sua atividade. Ele funde a doutrina de Jesus com suas ideias pessoais, reintroduzindo o culto ao medo no Deus vingativo do Antigo Testamento, além de introduzir o conceito de igreja como instituição. Finaliza afirmando ser Jesus um outro Buda, em que defende a doutrina da reencarnação proscrita pela Igreja no Concílio de Constantinopla realizado em 553; sua vida de simplicidade e dedicação ao outro constitui, para o autor, um exemplo a ser seguido pelo ser humano.

* * *

Seria essa tese delírio de pesquisadores? Invenção de pessoas revoltadas com a Igreja? Coincidência? Descartada essa última possibilidade pelo amplo leque de provas arqueológicas, documentais e científicas apresentadas pelo autor, não faltarão críticas dos setores conservadores da Igreja, o que não deixa de ser positivo, uma vez que suscita o debate e a necessidade de novas pesquisas.

Curioso é observar que ainda no primeiro capítulo ele relata que Notovitch entrou em contato com o Vaticano para publicar o assunto; recebeu como resposta uma oferta em dinheiro para desistir da empreitada. Ora, sabemos que a Igreja sempre teve interesse de proibir e/ou impedir a publicação de obras que vão de encontro a seus dogmas oficiais. Mas é interessante verificar que Kersten é padre, e como ele mesmo afirma, foi entre os teólogos alemães que surgiu a pesquisa histórica sobre a figura de Jesus com uma visão mais crítica.

Na historiografia recente, vários autores têm se dedicado a pesquisar sobre o Jesus histórico. Mas certamente ainda é difícil escrever sobre a vida dos fundadores de religiões, como Moisés, Buda, Maomé e o próprio Jesus pela relativa escassez de fontes e estado de deterioração de outras encontradas.

Quanto ao “paulinismo” é fato que sua força doutrinária coercitiva terminou por se impor ao Cristianismo. Paulo deu outra configuração à doutrina, transformando-a numa burocracia cuja hierarquia submetia os fiéis à autoridade inconteste de sacerdotes e intérpretes das Escrituras. Um outro fato curioso é quando o autor conjectura sobre o que seria o "espinho na carne" de que Paulo falava, mencionando que isso pode ser uma referência a seu homossexualismo, o que lhe acarretava um forte sentimento de culpa que ele tentava compensar através da prática do ascetismo. 

Certamente, tem havido muitas especulações sobre o "espinho na carne" de Paulo. A hipótese de ele ser homossexual parece ser a mais coerente, haja vista que era um cidadão romano (essa prática era comum na Grécia e Roma antigas, que, no entanto, não entendiam o homossexualismo com a conotação que lhe damos hoje), tinha uma visão depreciativa da figura feminina e aconselhou os homens a não casarem. Sua angústia pelo fato de essa prática ser reprovada no judaísmo o levou a refugiar-se na rigidez doutrinária, no ascetismo religioso e na condenação categórica dos homossexuais. 

Mas o objetivo da obra é desmistificar, através de uma análise histórica, a vida de Jesus. Nesse sentido, o livro de Kersten constitui um verdadeiro desafio aos dogmas e tradições estabelecidos, ao mostrar que Jesus estava bem mais próximo do Budismo que do Judaísmo, e também ao tentar revelar o que fez e por onde passou no interlúdio entre seus doze e vinte e nove anos, e nos anos seguintes à crucificação. Assim, através de uma extensa análise do sudário e de recentes escavações arqueológicas, complementadas por viagens de pesquisa de campo do próprio autor, ele põe em xeque o dogma da ressurreição e da morte na cruz, seguindo os passos de Cristo até sua suposta real morte, na Índia, por volta dos oitenta anos.

Certamente não é uma ameaça à estrutura da Igreja e à consciência religiosa da imensa maioria dos fiéis, mas é uma obra indispensável a todos os que se interessam pela compreensão do Jesus histórico e também é importante por suscitar o debate. Mas, sobre a doutrina da ressurreição cabe ainda afirmar que trata-se de um mito. O mito é uma narrativa que objetiva dar sentido a um rito, ressiginificando-o e representificando-o. Um dos problemas da atualidade é quando algumas tendências religiosas tentam transformar o mito de sua fé em razão científica, resultando disso uma postura fundamentalista que pode acarretar a deflagração de atos explícitos de intolerância, como mostrou a historiadora Karen Armstrong em sua obra "Em nome Deus: o fundamentalistmo no judaísmo, no cristianismo e no islamismo".

POSTADO POR BERTONE 

            http://200.215.177.69/imagem/capas1/615/243615.jpg     JESUS VIVEU NA INDIA

A DESCONHECIDA HISTORIA DE CRISTO ANTES E DEPOIS DA CRUCIFICAÇÃO

CONCEITO DO LEITOR: Conceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do Leitor | (OPINE)
AUTOR: KERSTEN, HOLGER
TRADUTOR: CASAS, CECILIA
EDITORA: BEST SELLER
ASSUNTO: RELIGIÕES - CRISTIANISMO



HÁ UM PERÍODO DA VIDA DE JESUS QUE PERMANECE OBSCURO, DESAFIANDO HISTORIADORES E ESTUDIOSOS. AS NARRATIVAS BÍBLICAS INTERROMPEM A HISTÓRIA DE CRISTO QUANDO ELE TEM 12 ANOS E SÓ A RETOMAM QUANDO JÁ COMPLETOU 30. O TEÓLOGO ALEMÃO HOLGER KERSTEN REVELA QUE LOGO NO INÍCIO DA ADOLESCÊNCIA JESUS RUMOU PARA A ÍNDIA, ONDE FOI INICIADO NO BUDISMO POR MONGES. PARA APOIAR ESSA TESE, ELE APRESENTA UMA FARTA DOCUMENTAÇÃO HISTÓRICA E UMA ANÁLISE ACURADA DA BÍBLIA E DE TEXTOS LEGADOS PELAS CIVILIZAÇÕES ORIENTAIS. DESAFIANDO OS DOGMAS DA IGREJA, ESTE LIVRO APONTA UMA SÉRIE ESPANTOSA DE COINCIDÊNCIAS ENTRE A DOUTRINA BUDISTA E A CRISTÃ, PROVANDO QUE JESUS SE ENCONTRAVA MAIS PRÓXIMO DAQUELA QUE DO JUDAÍSMO ORTODOXO QUE SEMPRE REJEITOU.




LIVRO PARA DOWNLOAD:

[PDF] 

JESUS VIVEU NA ÍNDIA - INNOVATION WEBSERVICES

FORMATO DO ARQUIVO: PDF/ADOBE ACROBAT - VER EM HTMLDE H KERSTEN ARTIGOS RELACIONADOS
JESUS VIVEU NA ÍNDIAA DESCONHECIDA HISTÓRIA DE CRISTO ANTES E DEPOIS DA CRUCIFICAÇÃO. TRADUÇÃO DE CECÍLIA CASAS. EDITORA BEST SELLER ...



OUTROS TEXTOS:





JESUS DA ADOLESCÊNCIA À MATURIDADE




Explore o conteúdo

Anos Perdidos De Jesus, Os


Com poucos fatos históricos em que se basear, Chopra optou por imaginar o caminho de iluminação que o jovem de Nazaré teria trilhado até se tornar o Messias. É uma jornada que o leva da obscuridade à revolução, das dúvidas aos milagres, culminando na transformação do filho do homem em Filho de Deus. Na adolescência, Jesus tem premonições do seu futuro, mas vive atormentado por não saber quem é e qual o seu papel nos planos de Deus. Ao longo do caminho, ele se sente incapaz de mudar os outros e vive dividido entre o amor pelas pessoas e o amor divino. Ao buscar solucionar os mistérios mais profundos da vida, Jesus se defronta com as mesmas questões e contradições que enfrentamos no dia a dia. Ele não sabe se Deus o está ouvindo e se pergunta por que o Pai celeste permite tantas vezes que o Mal triunfe. Jesus enfrenta seus demônios e, ao ser batizado no rio Jordão, aceita seu destino, que combina os extremos da luz e da escuridão. Nesta obra, Deepak Chopra faz um retrato sem precedentes de Cristo, aproximando os leitores do entendimento da natureza de Deus.


Explore o conteúdo:

Trecho:

Nota do autor
Este livro não é sobre o Jesus presente no Novo Testamento, mas sobre o que ficou de fora da narrativa bíblica. Os autores dos evangelhos nada falam sobre “os anos perdidos” de Jesus – como é conhecido o período compreendido entre os 12 e os 30 anos de sua vida. Na realidade, Jesus desaparece antes disso, pois o único incidente relatado após as narrativas de seu nascimento (encontrado apenas no evangelho de São Lucas) é o de que, aos 12 anos, ele se perde dos pais durante a Páscoa, em Jerusalém. José e Maria já estavam no caminho de volta para casa quando deram pela falta do menino. Ansiosos, eles refizeram seus passos e encontraram o filho Yeshua (como ele era chamado em hebraico) debatendo sobre Deus com os sacerdotes do templo. Salvo esta menção extraordinária, a infância e a juventude de Jesus são praticamente uma incógnita.

Contudo, outro Jesus foi deixado de fora do Novo Testamento – o Jesus iluminado. Sua ausência, a meu ver, debilitou de forma profunda a fé cristã, pois, por mais singular que seja Cristo, fazer dele o único Filho de Deus deixa o restante da humanidade desamparada. Um grande abismo separa a santidade de Jesus da nossa mediocridade. Milhares de cristãos aceitam essa separação, porém, ela não precisa existir. E se Jesus desejasse que seus seguidores – e até mesmo nós – desfrutassem a mesma comunhão com Deus alcançada por ele?

Minha história parte da premissa de que esse era o seu desejo. Ao acompanhar a busca do jovem de Nazaré em seu caminho para se tornar o Messias, pude traçar um mapa da iluminação. Não precisei, no entanto, inventá-lo. A iluminação sempre esteve presente em todas as eras. O caminho que leva do sofrimento e da separação à glória e à comunhão com Deus é bastante conhecido. Coloquei Jesus nesse caminho por acreditar que ele o trilhou. Obviamente, inúmeros cristãos convictos discordarão de mim, às vezes com veemência. Eles fazem questão de que Jesus permaneça singular, o único homem que também era Deus. No entanto, se Jesus pertence ao mundo – como eu acredito que pertença –, sua história não pode excluir todas as outras pessoas que alcançaram a 
consciência divina. Neste romance, Jesus continua sendo um salvador, mas não é o salvador.

A princípio, a ideia de escrever um romance sobre os anos perdidos de Jesus me causou desconforto. Criar uma nova versão das Escrituras Sagradas é algo inconcebível, e se, em vez disso, você decide apresentar Jesus num tom secular, corre o risco de negar seu papel sagrado, que é indiscutivelmente real. Eu  queria dar aos fiéis cristãos – e a todos os que buscam a iluminação – motivos para se sentirem ainda mais inspirados. Para tanto, precisava trazer Jesus para as questões do dia a dia. Assim, ele se preocupa com a violência e a agitação popular, questiona se Deus está ouvindo e se encontra profundamente imerso na pergunta “Quem sou eu?”. Minha intenção não foi, de forma alguma, contradizer os ensinamentos de Jesus na Bíblia, mas sim imaginar como ele os obteve.

Então, como era este Jesus jovem, repleto de dúvidas e em busca da iluminação? 

Eu me defrontei com várias possibilidades. Poderia ter fingido que esta era uma biografia perdida. No entanto, biografias precisam se basear em fatos e, neste caso, são poucos os que conhecemos: os nomes dos familiares de Jesus e quase nada mais. Jesus sabia ler? Qual era seu grau de conhecimento da Torá, a
lei divina? Ele vivia à margem da cultura romana ou circulava livremente entre os colonos e soldados imperiais? Ninguém sabe dizer com certeza.

Estudos recentes chegam até mesmo a questionar se Jesus era de fato um carpinteiro; alguns estudiosos afirmam ser mais provável que José, seu pai, tenha
sido pedreiro, ou uma espécie de “faz-tudo” da época. De qualquer forma, o Novo Testamento tampouco é biográfico. Trata-se de uma defesa parcial do argumento de que um andarilho carismático é o tão esperado Messias. Além disso, ele foi escrito durante um período turbulento, em que outros candidatos
a messias reivindicavam o título com o mesmo ardor. 

Eu poderia ter optado por escrever uma espécie de fantasia espiritual e dar asas à imaginação. Fantasias espirituais não têm limites, uma vez que não existem
fatos para desafiá-las. Jesus poderia ter feito seu treinamento numa escola para mágicos em Éfeso ou visitado o Partenon, onde teria se sentado aos pés dos discípulos de Platão. Contudo, essa opção me pareceu desrespeitosa.

Por fim, eu poderia ter pegado o Jesus familiar e benquisto dos evangelhos e trabalhado de trás para a frente. Esse teria sido um caminho mais seguro, uma espécie de O jovem Indiana Jones que nos desse um gostinho do herói que sabíamos estar por vir. Se os evangelhos nos revelam um homem cheio de amor,
compaixão, bondade e sabedoria, é mais do que plausível que ele tenha sido uma criança que demonstrasse amor, bondade, compaixão e sabedoria fora do
comum. Essas qualidades teriam amadurecido até Jesus entrar em cena por volta dos 30 anos de idade, quando pediu a seu primo João que o batizasse no
rio Jordão.

Ao remoer todas essas possibilidades, percebi que mais de um Jesus havia sido deixado de fora da Bíblia. Portanto, nada mais justo do que resgatar o mais
crucial de todos: o Jesus essencial que implora para ser conhecido. Para mim, ele não é uma pessoa, mas um estado de consciência. A comunhão de Jesus com Deus foi um processo que ocorreu dentro de sua mente. Do ponto de vista de Buda ou dos antigos rishis (profetas) indianos, Jesus atingiu a iluminação. 
Este é o meu verdadeiro tema. Um jovem capaz de se tornar um salvador descobre seu potencial e então aprende a consumá-lo.

Espero conseguir satisfazer as mais profundas curiosidades dos leitores. Em que consiste entrar em comunhão com Deus? Podemos trilhar o mesmo  caminho que Jesus? Eu acredito que sim. Ele queria nos ensinar a atingir uma consciência mais elevada, e não apenas ser um exemplo glorioso dela. Jesus disse aos seus discípulos que eles poderiam fazer tudo o que ele fazia e mais. Afirmou que eles eram a “luz do mundo”, o mesmo termo que usava para si mesmo.

Apontava para o Reino dos Céus como um estado de graça eterno, não como um lugar distante escondido além das nuvens. 

Em suma, o Jesus que foi deixado de fora do Novo Testamento acaba se revelando, sob muitos aspectos, o mais importante para os tempos modernos.

Sua busca pela salvação ecoa nos corações de todos nós. Se não fosse assim, a breve carreira de um rabino controverso e amplamente menosprezado que vivia à margem da sociedade judaica do século I não teria muita importância. No entanto, todos nós sabemos que a trajetória desse rabino desconhecido ficou
marcada para sempre como mito e símbolo. Não pretendo que o Jesus deste livro seja adorado, e muito menos impô-lo como definitivo. Os acontecimentos desta história são pura ficção. Porém, em um nível mais profundo, este Jesus me parece real, pois pude ter um vislumbre da sua mente. Um insight  momentâneo pode atender muitas preces. Espero que os leitores sintam o mesmo.

Deepak Chopra
Maio de 2008

Recomendo também deste autor:


Buda - A Historia De Um Iluminado

Conceito do Leitor: Conceito do LeitorConceito do LeitorConceito do LeitorConceito do Leitor | (opine)
Autor: CHOPRA, DEEPAK
Editora: SEXTANTE FICÇAO
Assunto: RELIGIÕES - RELIGIÕES ORIENTAIS - BUDISMO




Neste livro, Deepak Chopra acompanha passo a passo a trajetória de Buda, desde que era um jovem príncipe buscando seu verdadeiro destino até alcançar a iluminação, mudando o mundo para sempre com seus ensinamentos. 'Buda - A história de um iluminado' é, na verdade, a história de um homem em busca de sabedoria e transformação. Dividido em três partes, o livro retrata os conflitos internos vividos em cada etapa de sua vida, como Sidarta, o Príncipe; Gautama, o Monge; e Buda, o Compassivo. Quando Sidarta nasce, os astrólogos prevêem que ele dominará os quatro cantos do mundo. Mas, na verdade, ele pode cumprir a profecia de duas maneiras, tornando-se um grande rei - que é o que seu pai deseja - ou aprendendo a governar sua própria alma. Já casado e com um filho, o príncipe descobre que vive numa prisão, um reino de fantasia criado por seu pai para que ele nunca tivesse contato com a dor e a miséria e, assim, não desejasse acabar com o sofrimento humano. Mas o príncipe abandona o luxo do palácio e se torna um monge andarilho, que passa pelas mais duras provações, enfrenta demônios e embarca num jejum espiritual que quase o leva à morte. Ao reconhecer sua incapacidade de conquistar seu corpo e sua mente unicamente por meio da vontade, Buda finalmente transcende o sofrimento e atinge a iluminação. Profundamente inspirador, este livro apresenta a filosofia do budismo sem qualquer pretensão didática e nos leva a entender a verdadeira natureza da vida e do nosso ser.

Também recomendo:

Espiritualidade, Oriente - Ocidente


Autor: Philippe Laurent
Tema: Reflexões
Páginas: 80
Código: 1175

.
Há hoje uma urgência em se fornecer aos homens de boa vontade os meios de uma via espiritual que respeite sua inteligência. Porque, ao rejeitar, com toda razão, os dogmas estreitos das religiões estabelecidas, o homem ocidental, herdeiro mais ou menos consciente do espírito do ´Iluminismo´, freqüentemente tende a jogar fora o bebê espiritual junto com a água do banho religioso.

(Espiritualidade, Oriente - Ocidente, pág. 15)


Em 23 de março de 2010 19:41, Claudio Estevam Próspero  escreveu:
HISTÓRIA DAS RELIGIÕES / História do conceito de Deus